2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (1968)

2001 – Uma Odisseia no Espaço | 2001: A Space Odyssey | dir. Stanley Kubrick | EUA | ★★★★

2001 Uma Odisseia no Espaço Poster

Eu sempre tive aquele pé atrás com “2001 – Uma Odisseia no Espaço”. Tentei por inúmeras vezes assisti-lo durante a minha adolescência. Às vezes conseguia chegar até o fim, outras vezes não. Precisei conquistar um pouquinho mais de bagagem teórica e muita filosofia na veia para entender, enfim, o significado de muito do que acontece nessa que é uma das maiores obras-primas de Stanley Kubrick. Disso eu nunca discordei: “2001 – Uma Odisseia no Espaço” é lindo do começo ao fim, tanto em sua estética perfeita e quase inimaginável para uma época em que o homem sequer havia pisado na lua (o que só aconteceria no ano seguinte), quanto em suas formulações que, de tão herméticas, ainda são debatidas até hoje. Como eu acho que tem muita gente com sérias dificuldades em aceitar o filme, vou tentar explicar as razões de sê-lo da forma, digamos, mais democrática possível: A começar, devemos saber que a obra é dividida em quatro partes. Dessa forma, pretendo discursar rapidamente sobre cada uma.

A Aurora do Homem: Se inicia com um grupo de primatas que precisam sobreviver em meio às disputas pelo território com tapirídeos pré-históricos e outros grupos de símios hostis. Após perder o pequeno lago para um desses grupos, eles se encantam com a chegada misteriosa de um monolito, que aparentemente envia sinais para outro planeta. Não demora muito e um dos símios descobre o osso como ferramenta para matar, conseguir comida e se estabelecer num espaço, conquistando, assim, sua hegemonia. Começa daí a consciência do uso da arma, do poder e da própria inteligência.

ATM-1: Milhares de anos depois, um homem sobe numa estação espacial para ir à uma nave chamada Clavius, que orbita pela lua. Ao encontrar uma amiga russa, um dos amigos dela o questiona sobre um boato que dá conta de uma possível pane tecnológica. O tal boato é abafado em uma reunião através do pedido para que tripulantes não se desesperem. O fantasma da passividade do homem diante da inteligência artificial ronda o filme a partir de agora.

Missão Júpiter: Numa nave que pretende estudar o movimento de Júpiter, os astronautas Dave (Keir Dullea, “O Bom Pastor”) e Frank (Gary Lockwood, “Clamor do Sexo”) passam o tempo se exercitando, concedendo entrevistas e dando continuidade à manutenção de sua “casa”. Tudo é controlado pelo HAL 9000, um robô representado por uma voz que comanda todos os mecanismos da Discovery One, inclusive manter três outros astronautas hibernando dentro de uma espécie de escafandro. O que ninguém poderia esperar era que HAL 9000 se rebelaria contra esses homens.

Além do Infinito: A rigor, trata-se de uma intensa e belíssima viagem psicodélica. Não adianta procurar explicações para essa passagem, porque o próprio Stanley Kubrick disse que isso seria uma tarefa infértil. Numa declaração nada modesta, Kubrick afirmou que, se Leonardo Da Vinci não explicou o sorriso de Mona Lisa, ele não poderia versar sobre o que se trata não só essa parte final, mas “2001 – Uma Odisseia no Espaço” em sua totalidade. O recado dado alivia ainda mais a nossa tarefa em querer desvendar o que está por trás dos momentos finais do filme. Por isso, é bom deixar de querer racionalizar e se fazer sentimento.

Diante disso tudo, não tem como dizer que “2001 – Uma Odisseia no Espaço” seja um filme indigesto. De maneira alguma. O filme tem sim marcha lenta quase que a todo o momento e é adepto do silêncio como desdobramento de questões nada discursivas. Eu, muito humildemente, posso dizer que a obra discute a evolução do homem. Isso fica mais do que subentendido quando, numa evidente elipse, o primata joga o osso que logo se transforma em uma nave espacial. Assim, o primórdio dá lugar ao tecnológico, a gênese dá lugar à contemporaneidade. Diante disso, fica difícil imaginar que estejamos falando de uma produção de 1968, tamanho os cuidados técnicos tomados aqui.

O roteiro, escrito pelo próprio Stanley Kubrick, foi produzido ao mesmo tempo em que Arthur C. Clarke produzia o livro. Foram longos cinco anos para que o projeto fosse finalmente lapidado. E quanta genialidade! Tem a música de Richard Strauss, Also Sprach Zarathrusta, fazendo menção à obra do filósofo Friedrich Nietzsche e ornando a valsa dos corpos celestes; a jogada de marketing em torno do nome HAL 9000 e suas iniciais que apontam para a IBM (cada letra equivale à letra seguinte do alfabeto); e até mesmo o seu final sensorial, que inspirou até Pink Floyd em sua canção Echoes, de 71.

Sim, eu caí nas graças de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” e nem preciso escrever mais nada para demonstrar tal fato. A história do cinema já fez esse encargo.

Resumo
Data
Título
2001 – Uma Odisseia no Espaço
Avaliação
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