A BELA DA TARDE (1967)

A Bela da Tarde | Belle de Jour | dir. Luis Buñuel | França | ★★★★

A Bela da Tarde Poster

Séverine (Catherine Deneuve) é uma jovem de 23 anos. Casada com um cirurgião (Jean Sorel), ela é frígida sexualmente por conter uma apreensão social fortíssima. Ao saber que uma conhecida sua virou uma “dama de companhia”, Séverine fica atordoada. Vai então a procura de Madame Anais (Geneviève Page), uma mulher sofisticada que mantém um apartamento aberto para visitas de homens finos em busca de companhias femininas. Batizada de “Bela da Tarde” por ficar apenas no período vespertino disponível no recinto, Séverine consegue destaque, o que poderá complicar ou ajudar sua relação íntima com o marido. Baseado na novela de Joseph Kessel (1898-1979), “A Bela da Tarde” é um mergulho na consciência da personagem principal, que foi levada ao encantamento do sexo vendido por conta de sua atração pela mão forte masculina e sua passividade (nos seus pensamentos eróticos, ela sempre está submetida ao sexo forçado com estranhos). É uma atitude que, apesar de extrema, se torna seu meio de satisfação imediata. Em algumas cópias, as legendas do filme chegaram a ser formatadas em itálico para diferenciar o que era realidade e o que era a consciência da personagem (uma afronta para a inteligência e capacidade de reflexão do espectador, o que afeta diretamente na força do enigmático desfecho da obra). O diretor Luis Buñuel é um idealizador da mente humana convicto. Só ele poderia passear pelo interior feminino de maneira tão elegante e alucinadora. Sua característica mais marcante nesse filme é definitivamente os takes de pés femininos (é um podólatra convicto), funcionando como agrado para evidenciar a beleza de Catherine Deneuve, que está deslumbrante. O filme tem um quê de Nelson Rodrigues. Aliás, “A Bela da Tarde” é uma obra que certamente está ligada no processo criativo do dramaturgo brasileiro, mesmo que indiretamente. É daqueles filmes que, mesmo tendo sido realizado há décadas, ainda é capaz de enaltecer a sexualidade de forma muito atraente.

Resumo
Data
Título
A Bela da Tarde
Avaliação
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6 Comentários

  1. Um grande filme, A Bela da Tarde, assim como a maioria dos filmes de Bunuel. O Discreto Charme da Burguesia e O Anjo Exterminador também são dois bons exemplares da ousadia desse diretor.

  2. Buñuel e Deneuve, que mistura mais deliciosa, só me falta assistir. Aliás, onde eu já ouvi falar desse A Bela da Tarde? Sei que alguém já comentou comigo, mas não me lembro…

  3. É sem dúvidas, um grande e excelente filme. É um desses que sempre revejo, pois sempre descubro algo novo sobre a trama e a personagem principal.

    E aquele final? Que final é aquele?
    Posso ver um milhão de vezes, mas nunca me vêm nada que possa ‘sacramentar’ aquilo…

    []s

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