A CHEGADA (2016)

A Chegada ​|​ ​Arrival​ ​|​ ​dir.​ ​Denis Villeneuve ​|​ ​EUA​ ​|​ ​★★★★

A Chegada PosterResenha Crítica de A Chegada

(A minha humilde interpretação do filme está na segunda parte desse post)

Eu sinceramente não esperava grande coisa deste “A Chegada”, mas também não saberia dizer exatamente o porquê. Talvez não estivesse muito empolgado com este trabalho que estreou no final do ano passado nos cinemas daqui e nessa semana ganhou mais buzz por conta das 8 indicações ao Oscar que recebeu. Foi esnobado na categoria de melhor atriz, o que é estranho, já que Amy Adams era uma das apostas certas entre as finalistas (e depois de ver o filme eu pude comprovar que ela é de fato a alma do longa). O diretor Denis Villeneuve é o mesmo que fez “Incêndios” (2010) e “Sicario – Terra de Ninguém” (2015), enquanto o roteirista é Eric Heisserer (“A Hora do Pesadelo“, “Premonição 5“), que se baseou no livro de Ted Chiang. A história parece simples, mas guarda uma série de leituras através do encontro da linguista Louise Banks (Amy Adams) com as criaturas que habitam um dos 12 OVNIs que surgem em países diferentes da terra (não existe uma relação entre esses pontos). Enquanto Louise tenta estabelecer uma forma de comunicação, os outros países reagem de forma mais violenta, talvez por exercício da pressão causada pela paranoia popular com o desconhecido. Esse “alertismo” é apenas uma das reconhecíveis três camadas de “A Chegada”, que ainda resulta num belíssimo tratado sobre a conformidade das coisas. Lidar com o destino é praticamente uma reação frente à fatalidade, você aceitando ela ou não. Existe, infelizmente, um pé na lacrimosidade exagerada. O tom ficou um tanto quanto impreciso em alguns momentos. Porém, nada tira a importante mensagem que a obra tem para passar, feito com um requinte que muito pode se relacionar com “Interestelar” (2014) ou “A Árvore da Vida” (2011). Ou seja, é um filme filosófico, denso, que se traduz em boas reflexões. É para quem gosta.

Explicação do Filme A Chegada

Seguem alguns pontos que podem facilitar a compreensão do filme “A Chegada”. Só lembrando que, a partir daqui, os spoilers estão liberados!

Do que se trata A Chegada?

Pois bem. A grande questão do filme de Denis Villeneuve é mesmo a comunicação. Isso fica claro já com o fato de a protagonista da história, Louise Banks (Amy Adams), ser uma linguista respeitada na sua profissão. Ela é chamada para decifrar a linguagem dos Heptapods, uma raça alienígena que chega à Terra em 12 cápsulas misteriosas ao mesmo tempo em 12 locais diferentes do mundo. Louise, juntamente com Ian Donnelly (Jeremy Renner) e o Coronel Weber (Forest Whitaker) trabalham com o monólito de Montana, nos EUA.

Explicação A Chegada 1

Como puderam perceber, cada país reage a presença do monólito local de maneira diferente, mas quase todos são receosos. A ameaça bélica é sempre a resposta para intimidar a presença dos extraterrestres. Afinal, o desconhecido sempre mete medo de cara.

Os extraterrestres e Louise: como se comunicar?

No entanto, os primeiros contatos que Louise tem com Abbot e Costello – os nomes dos dois extraterrestres de Montana – mostram uma interação harmônica, embora não dê para entender a linguagem deles, caracterizada basicamente por borrões numa tela branca que são expelidos pelos tentáculos das criaturas, que parecem estar escondidos por uma espécie de véu. A partir daí, se inicia o trabalho hercúleo de Louise para decifrar cada uma daquelas figuras antes que o restante do mundo acabe “espantando” os OVNIs.

Ah! E antes que me perguntem, aquele canário na gaiola é utilizado para testar o oxigênio dentro do monólito. Louise, antes de tirar a parte de cima do seu uniforme, olha para a ave afim de ter a certeza de que o ar não é tóxico.

Explicação A Chegada 2

O mais curioso é que, de acordo com que Louise vai descobrindo os significados das figuras desenhadas por Abbot e Costello, mas ela vai entrando num espiral de acontecimentos, caracterizados pelo seu casamento e sua primeira filha, Hannah.

Hannah: A filha de Louise já nasceu ou nascerá?

Explicação A Chegada 3

Para quem não entendeu bem, Louise, depois da experiência com os extraterrestres, se casará com o seu parceiro Ian Donnely, com quem terá uma filha que se chamará Hannah. A garota infelizmente vai falecer, o que certa forma causou a separação de Louise e Ian. A explicação se dá pelo fato de que Louise já sabia que todos esses fatos iriam ocorrer, fazendo com que Ian saísse de cena pelo fato de Louise ter feito “as escolhas erradas”.

Mas como Louise seria capaz de “prever o seu futuro”?

Explicação A Chegada 4

De acordo com que Louise vai estudando a linguagem dos Heptapods, ela, ao mesmo tempo, vai tomando uma dimensão do tempo. Isso porque os Heptapods lidam com o tempo de maneira não linear. Ou seja, não é da mesma maneira como estamos acostumados a entender o tempo (com passado, presente e futuro). Segundo uma teoria de relatividade linguística chamada Hipótese Sapir-Whorf, quando começamos a estudar um idioma, também começamos a PENSAR como um nativo daquela língua.

Poderoso, não? Ou seja, se você estudar japonês, por exemplo, o seu raciocínio lógico poderá se assemelhar a um japonês. Pelo menos de maneira intuitiva.

E como os Heptapods conseguem transcender o tempo sem a separação do que seja presente e futuro, Louise acaba ganhando esse dom.

E qual é a intenção dos Heptapods?

Segundo eles mesmos, os seres extraterrestres precisarão da ajuda dos humanos num futuro distante – daqui a 3.000 anos – e, portanto, veio dar a capacidade dos terráqueos de explorar essa “viagem no tempo” para desenvolver habilidades que possam salvá-los. Logo, os Heptapods simplesmente vieram com o intuito de presentear a humanidade.

Louise e Chang: Viagem no tempo ou coincidência?

Durante “A Chegada”, tem o momento claro em que Louise tem que convencer o General Shang (Tzi Ma) a não fazer com que a China entre em confronto com o monólito que foi parar lá. Louise consegue, no futuro, um encontro com o General numa festa, onde ele dá um número de telefone particular e uma espécie de “senha”.

No tempo presente, Louise liga para Shang e diz exatamente o que a esposa dele falou antes de morrer: “A guerra não faz vencedores, apenas viúvas“. Com isso, Shang entende o recado, desiste do confronto bélico e pôde também fazer essa “viagem no tempo” para entregar a mensagem à Louise na festa.

Explicação A Chegada 6

Isso pode gerar uma confusão pelo fato do tempo se tornar circular. Com presente influenciando o futuro e vice-versa. Isso é chamado de paradoxo de bootstrap (ou paradoxo ontológico), no qual um objeto no presente é enviado ao passado novamente para se tornar o próprio objeto recuperado no futuro. Você talvez já deva ter visto isso em “Interestelar”, do Christopher Nolan.

Por último e não menos importante: Por que raios Louise concordou com a fatalidade de sua vida?

Explicação A Chegada 5

A parte mais interessante de “A Chegada” está justamente aí. Louise sabia – graças à sua “visão premonitória” (é importante deixar isso em aspas só para facilitar o entendimento geral, porque a questão é muito mais profunda e unitária), que ela casaria, teria uma filha chamada Hannah e que esta morreria precocemente logo depois de se divorciar de Ian.

Ainda assim, Louise resolve abraçar a sua sina, alegando conformidade ao tempo bom que passou com Hannah.

É lidar, de maneira conformista, que a vida não é só ganhar, mas as perdas também fazem parte desse processo que é viver.

Gostaram das considerações? Tem algo mais que não entendeu? Uma interpretação que gostaria de compartilhar? Deixe o seu comentário abaixo para enriquecer ainda mais essa discussão!

Resumo
Data
Título
A Chegada
Avaliação
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