A GRANDE BELEZA (2013)

A Grande Beleza | La Grande Bellezza | dir. Paolo Sorrentino | Itália | ★★★★

A Grande Beleza Poster

Depois de ganhar o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, “A Grande Beleza” parece ter ganhado o passe para faturar o prêmio na mesma categoria no próximo Oscar, de onde surge como o grande favorito (particularmente, eu ainda sou mais propenso a preferir os concorrentes “A Caça” e “Alabama Monroe”). O novo filme de Paolo Sorrentino (anteriormente foi responsável pelo estranho “Aqui é o Meu Lugar”) faz um paralelo de grande importância com a reflexão orquestrada por Federico Fellini há pouco mais de cinquenta anos em “A Doce Vida” (1960), principalmente no que se refere à discussão acerca do vazio existencial de seres histriônicos da Itália. Em “A Grande Beleza”, o painel é muito bem apresentado.

O filme não tem exatamente uma história procedural, trata-se das andanças e crises protagonizadas por Jep Gambardella (Toni Servillo), homem de 65 anos recém-completados, que é cobrado para escrever o sucessor de seu único sucesso literário escrito quarenta anos antes. Atualmente, ele tem uma coluna cultural numa revista e organiza festas homéricas da high society em sua casa com vista para o Coliseu. Seus amigos são dos mais interessantes, que vão desde aquele que insiste em escrever uma peça pra impressionar sua esposa ex-atriz (que o despreza) até a mulher  cujo filho ficou obcecado pela filosofia de Proust. Entre andanças pelas ruas de Roma e visitas aos lugares mais deslumbrantes de sua cidade, Jep se envolve com Ramona (Sabrina Ferilli), que, mesmo quarentona, insiste em continuar fazendo strip no clube de seu pai.

A Grande Beleza” tem, entre tantas discussões, a maneira como uma das cidades mais prestigiadas da Europa em ter de corresponder às expectativas de exuberâncias contidas nela. E é por isso que a metáfora da garotinha pintora é tão eficaz. Quem me conhece bem sabe que eu não sou grande apreciador de Fellini (embora reconheça a devida importância), mas gosto da maneira como tudo é etéreo em “A Grande Beleza” e sua inspirada melancolia, que faz Jep ser um cronista perspicaz e absurdamente triste diante da carapuça de bon vivant. Belo e inspirador.

Resumo
Data
Título
A Grande Beleza
Avaliação
41star1star1star1stargray

Comentários (via Facebook)

comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *