AMOR (2012)

Amor | Amour | dir. Michael Haneke | França | ★★★★★

Amour Poster

Quando terminei de assistir “Amor”, eu fiquei com a horrível sensação de que eu seria incapaz de ser feliz novamente pelas próximas horas. Nos trinta minutos finais, era possível me imaginar em uma posição fetal, com receio das desagradáveis particularidades da vida. Vida esta que, como último presente, nos trará a morte como uma incógnita. Digo isso porque, obviamente, a morte é a única certeza que temos na nossa existência, contudo, não sabemos quando isso irá acontecer, muito menos quais serão as circunstâncias. O que esperamos, todavia, é que nosso padecer seja o menos desagradável possível e que tenhamos chance de contar com a consternação daqueles que tanto amamos. O filme se passa basicamente em um apartamento de Paris, onde vivem os octogenários Georges (Jean-Louis Trintignant) e Anne (Emmanuelle Riva). A vida tranquila do casal começará se complicar quando Anne sofre um derrame. Um quadro que vai se tornando cada vez mais degenerativo. Diante de tal situação, Georges não hesita em se tornar o grande companheiro de sua esposa, demonstrando o amor que ele, mais uma vez, irá demonstrar com uma das tantas maneiras de expressar esse sentimento tão vasto. Escrito e dirigido por Michael Haneke, eu confesso que estranhei essa premissa em meados do ano passado, quando a obra garantiu o maior prêmio do Festival de Cannes. Eu deveria ter presumido que o amor, de fato, pode ser demonstrado de diversas maneiras. O que vai tornar “Amor” um filme singular é, também, a capacidade de Michael Haneke em tornar aquele apartamento, que antes parecia ser reduto do bom gosto, em uma espécie de catacumba. Por isso, as duas cenas nas quais uma pomba insiste em adentrar ao recinto soam tão simbólicas. Não se engane pelo ingênuo título. “Amor” é, acima de qualquer coisa, um filme que nos faz acreditar no amor da forma mais indiscutível que possamos presenciar no cinema.

Resumo
Data
Título
Amor
Avaliação
51star1star1star1star1star

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2 Comentários

  1. Assisti ao filme nesse último fim de semana. Confesso que fui ao cinema esperando chorar todos os minutos do filme, que acreditava mostraria o sofrimento de um casal com problemas de relacionamento, o que é o inverso do que se passa.
    Agora, confesso que a maior comoção foi com o desfecho da trama e, mais que isso, da incógnita que foi deixada aos desatentos e não-intérpretes de símbolos. O fechamento em letreiros, sem maiores “dramas” e situações mais tensas que o filme todo, foram o arremate perfeito!

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