AMORES IMAGINÁRIOS (2010)

Amores Imaginários | Les Amours Imaginaires | dir. Xavier Dolan | Canadá | ★★★★

Amores Imaginários Poster

Confesso que Xavier Dolan me impressiona. O rapaz de apenas 22 anos já conseguiu se estabelecer no meio do cinema artístico, levando os dois de seus principais filmes (este e o anterior “Eu Matei Minha Mãe”, de 2009) para o Festival de Cannes. Não é para menos, visto que o cara tem talento, embora possua uma estética restrita e faça parte do rol desses diretores que são, acima de qualquer coisa, cinéfilos inveterados abusando de homenagens, (tributos, referências, etc.) em suas obras a fim de darem maior valor artístico a elas. Para mim, isso não é (e está longe de ser) um defeito. Em “Amores Imaginários”, os amigos Marie (Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan, que além de diretor e roteirista, também assume o papel de protagonista) não poderiam imaginar que a amizade seria abalada por um amor em comum: o jovem Nicolas (Niels Schneider). Por conta da ambiguidade sexual de Nic, os dois iniciam um constante jogo de conquista cada vez mais exposto, que vai afetando de forma negativa a amizade entre todos eles. Marie e Francis alimentam um amor platônico e, mesmo que se entreguem a outros parceiros sexuais, suas cabeças estão sempre aludindo à Nicolas. O que gosto bastante nessa obra são os depoimentos de pessoas aparentemente triviais falando sobre desilusões amorosas, que é o tema maior do filme. São de uma espirituosidade que me divertiram bastante, funcionando para salientar esse campo de discussão. Não é querendo estragar nada, mas é esperado que pessoas tão sentimentais quanto eles não esperem grande coisa como resultado (um amor recíproco, por exemplo). Pelo menos é a impressão que se dá desde o início do filme, que possui um final que de tão irônico, que salva o terceiro ato com louvor. “Amores Imaginários” é um longa restrito, infelizmente. E é também um ótimo exemplo para mostrar que o estilo, muitas vezes, se sobressai.

Resumo
Data
Título
Amores Imaginários
Avaliação
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Comentários (via Facebook)

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4 Comentários

  1. Acabo de ver este filme, e estou simplesmente reconfortado, não sei como explicar..mas é assim que me sinto…Saindo um pouco do meu particularismo que dar relevância a qualidade do filme,é uma produção aparentemente simples, mas possui um arranjo dramatúrgico extremamente conceitual.

  2. Adorei esse filme, Xavier Dolan mostra aqui que tem talento pra dar e vender e usa um tema mais amplo do que em seu Eu Matei a Minha Mãe. Gostei do seu texto, o filme tem mesmo muitas referências à Nouvelle Vague, além de características aqui e ali com Almodóvar e Tarantino.
    Abraços.

  3. A grande sacada do filme é que ele apresenta o sentimento gay, mas que é também hetero, em suma: é o sentimento universal. Há a mulher que venera o amigo; há o homem que venera o amigo também. E ambos, dentro de suas percepções, investem em sonhos e idealizações desse próprio desejo que sentem…

    É um filme incrível, muito belo, muito bem feito. Tudo é cuidadoso. Dolan é talentoso e poucos reconhecem isso. Se esse filme estivesse estampado o nome “Almodovar”, todo mundo diria que seria seu melhor filme. Uma pena, odeio pessoas quem se limitam nos julgamentos.

    Ao meu ver, discordo de ti, nem é um filme restrito assim – minha mãe, vários amigos e, inclusive, parentes que indiquei este filme, adoraram.

    Abraço

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