AS CANÇÕES (2011)

As Canções | dir. Eduardo Coutinho | Brasil | ★★★★

As Canções Poster

É uma pena que eu tenha conhecido só agora a vasta filmografia de Eduardo Coutinho, ainda mais depois de sua morte um tanto quanto trágica. Depois de rever entusiasmado sua obra-prima “Cabra Marcado Para Morrer” (1985) e o grandioso “Edifício Master” (2002), me peguei mais uma vez no YouTube vendo esse “As Canções”, que já havia me chamado a atenção depois de muita gente dizer que o lembrava ao assistir “Vou Rifar Meu Coração” (2011), um belíssimo documentário de Ana Rieper no qual ela retratava os mais diferentes tipos de pessoas e suas relações com a música (nesse caso, especificamente brega).

Aqui, o que Eduardo Coutinho fez é uma apresentação nada formal de pessoas anônimas, que não escondem um passado doentio, trágico, marcado por traição ou um amor não correspondido, mas, todos são inteiramente cheios de sentimentalidades. Eu me sinto um voyeur em demasia quando percebo que o filme está acabando e eu quero muito mais histórias dentro desse tipo de projeto. Parece até que 90 minutos não são suficientes para tanto. Claro que todas essas histórias são marcadas por alguma canção, pois daí o título não faria sentido algum, não é mesmo?

A maioria dos 18 entrevistados entoa as músicas-temas, que vão desde Noel Rosa a Roberto Carlos, passando por Carlos José (“Esmeralda”) e Wanderléa (“Ternura”). Não são raros os momentos em que a emoção daquelas pessoas durante a música desabe no choro, alguns contidos e outros inesperados, mas sempre muito genuínos. A sensação que dá é que o brasileiro sempre tem uma história edificante para contar, por mais que estejam lembrando algum fracasso emocional. Chamou-me a atenção o destaque dado às mulheres abandonadas ou traídas que, mesmo conseguindo dar a volta por cima, ainda carregam um amor que parece resistente ao tempo. “As Canções” é um filme verdadeiro para nós e terapêutico para seus depoentes. Com isso, todos saem ganhando.

Resumo
Data
Título
As Canções
Avaliação
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