AS HORAS (2002)

As Horas | The Hours | dir. Stephen Daldry | EUA | ★★★★

As Horas Poster

Pra assistir a um filme como “As Horas”, é preciso estar aberto a algumas considerações. Isso porque, essencialmente, versa entre a temática da depressão e do suicídio. E confesso que isso é feito de uma maneira incrivelmente delicada, sem soar piegas e em nenhum momento cai no dramalhão descarado. Utilizando-se da narrativa fluída que caracterizou a carreira da escritora inglesa Virginia Woolf (1882 – 1941), “As Horas” acompanha um dia na vida de três mulheres paralelamente.

A primeira é a própria Virginia (Nicole Kidman), que em 1923 começa a desenvolver seu principal romance, “Mrs. Dalloway”, enquanto enfrenta a resistência em viver numa cidade interiorana com o marido. Em 1951, em Los Angeles, a dona-de-casa Laura Brown (Julianne Moore) está nitidamente infeliz com o casamento perfeito e, enquanto acompanha a leitura de “Mrs. Dalloway”, flerta com a ideia do suicídio. Na Nova York de 2001, a editora Clarissa (Meryl Streep) encarna uma versão moderna de Mrs. Dalloway ao organizar uma festa em homenagem ao seu amigo poeta Richard (Ed Harris), que está debilitado por conta da AIDS.

De imediato, já posso pontuar algumas razões que comprovam a qualidade de um filme como “As Horas”: a direção competente do britânico Stephen Daldry (a metafórica cena em que Laura é afogada na cama é linda sob o aspecto visual e conotativo), a edição engenhosa de Peter Boyle, o roteiro maduro de David Hare e seu desafio em adaptar o premiado livro de Michael Cunningham, a trilha sonora de Philip Glass e o elenco, com destaque às três protagonistas. Nicole Kidman, por sinal, ganhou o seu tão famigerado Oscar, que muitos podem justificar por sua prótese nasal. Mas justiça seja feita! Nicole encarna Virginia Woolf sem maneirismos, dando uma força dramática bastante louvável para uma atriz que findava a exposição midiática causada pelo casamento com o astro Tom Cruise e deu continuidade a uma das melhores fases de sua carreira, enfileirando prestígio com “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001), “Os Outros” (2001), “Dogville” (2003) e “Cold Mountain” (2003).

Apesar do tom pesado e sem investir em qualquer alívio, “As Horas” fica na memória como uma experiência de cruel dominância da tristeza em expressão, sendo compreendida ou não pelas mulheres que a vivenciam. Belo e poético até a medula.

Resumo
Data
Título
As Horas
Avaliação
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