[EDITORIAL] 7 Anos de Blog – O Balanço e os Novos Rumos

Pois é. O Poses e Neuroses completou 7 anos.

um momento para um brinde!

Comparado a alguns colegas da blogosfera, nem é tanto assim. Por outro lado, é um número do qual orgulho, já que são incontáveis os blogs e sites de cinéfilos que começaram e morreram no píer da praia. Ou porque os chamados “cibercinéfilos” se tocaram que escrever sobre o que ama pode não ser tão recompensador assim (principalmente para quem busca viver disso), ou porque as obrigações do dia-a-dia o impediram. Ou tudo junto e misturado.

A questão é que ter um blog sobre cinema, apesar de despretensão, exige algumas responsabilidades. Seja na constância de atualizações, seja no que se fala. Dar opinião na internet é algo que pode trazer benefícios e malefícios. Porque é uma forma de se expor. E apesar de ter tido pouquíssimas experiências ruins com quem não concordasse com o que eu disse sobre algum filme, eu tenho noção de que o debate possa surgir.

A audiência teve altos e baixos. Alguns posts deram muito certo, outros nem perto de ter alguma relevância.

Aprendi muito na raça, e o balanço geral é que tive algumas experiências marcantes. São algumas delas:

A escrita mudou para melhor. Quando comecei o blog eu estava em meio à faculdade de filosofia, e fazer textos argumentativos passou a ser uma prioridade. Os exercícios foram muito válidos e colho os frutos até hoje.

Aprendi, inicialmente de maneira autodidata, como funciona as boas práticas para montar um conteúdo promissor para quem quer que seja. O que aprendi de WordPress passei para algum amigo, que me indicou um cliente para que eu cuidasse de um blog empresarial como freelancer, que foi indo… e hoje ganho a vida com SEO. E sim, o blog muitas vezes me serviu de case e fiz muitos testes aqui.

Muitos amigos surgiram. O mundinho dos cinéfilos, pelo menos aqui em São Paulo, não é tão desconexo assim. Todo mundo acaba se conhecendo de alguma maneira em eventos (como a Mostra Internacional de São Paulo), em cabines de imprensa, coletivas, happy hour, sites que ajudam nessa interação (como o Filmow ou Letterboxd). Enfim, posso dizer que conheci muita gente bacana que reparte de gostos em comum.

Deu pra me tirar uma grana em meses de perrengue. Em tempos áureos de Adsense e links patrocinados, o Poses e Neuroses já até completou meu mês de aluguel.

Organização para ver filme. Com a “obrigação pessoal” de assistir a alguns filmes para postar, pude entrar em contato com diversas verves do cinema. Grandes clássicos, franquias obscuras de terror, filme do Oriente Médio que infelizmente nunca passarão nos nossos cinemas… Muita coisa foi vista para comentar aqui. Isso sem contar nas inúmeras recomendações que recebo de leitores via comentário, e-mail, rede social, etc.

Reconhecimento. Infelizmente, eu não posso comparecer mais assiduamente em cabines de imprensa, já que trabalho em horário comercial e essas exibições, com raras exceções, acontecem sempre pela manhã. Mas fico muito satisfeito em receber convites das distribuidoras (algumas até consigo ir) me chamando para exibições para a imprensa, mandando algum lançamento de DVD via correios, ou link com acesso para apreciação.

Números. Recentemente bati a marca de 1000 filmes resenhados por aqui. De diversas nacionalidades, épocas, vertentes, décadas, gêneros, diretores, blockbusters ou do circuito alternativo. E me orgulho da marca.

E o que vem agora?

Bom. Sopros de mudanças sempre são necessários. Algumas coisas não têm como mudar, é verdade. Mas para outras não há impeditivos.

O que me incomoda hoje é que o Poses e Neuroses ficou engessado. O que é uma pena. Não está mais desafiador. Comento sobre o que vejo. E é isso. O formato é sempre o mesmo. A maneira de escrever também. “Padrãozão” mesmo. E não é de hoje que me sinto obrigado a comentar algo que eu nem queria, ou deixando de comentar coisas que eu gostaria. E isso não é necessariamente bom.

Agora é preciso dar alguns passos de teste para outros tipos de conteúdo. É claro que o cinema continuará sendo o assunto principal. Afinal, é o único assunto que falo com propriedade gratuitamente (para marketing digital, SEO, e content marketing, só pagando) e com satisfação.

No entanto, tem me feito uma falta danada escrever crônicas, listas, críticas mais aprofundadas, listas, resumos do que vi num mês, outras mídias (como séries de TV), post reunindo rapidamente o que ando vendo, explicações teóricas sobre alguns títulos. Enfim… mais liberdade na redação, nas pautas. E me comprometo em fazer isso para melhor. Não estou pretendendo inventar a roda, já que nada disso é novo na internet. Para mim, será.

Até porque blog raiz de cinema está ficando rarefeito. Diversos colegas já sucumbiram para o YouTube, o veículo da vez. As pessoas estão lendo menos e assistindo mais. Natural, né? Não acho ruim, nem menos respeitável. Conteúdo bom pode ser feito de diversas maneiras.

Eu confesso que já me senti induzido a explorar um canal no YouTube, mas me falta tempo, paciência e coragem para gastar grana em equipamentos. Só em pensar em montar tripé, ligar câmera, preparar algo para falar, gravar, depois jogar o arquivo para o computador, editar (putz, a pior parte), depois fazer upload, as otimizações, divulgar, correr atrás de parceria… Nossa, não. Falando por hoje, não. Mas fico MUITO feliz com o crescimento dos amigos. É uma experiência ótima, aprendizados também.

E se me chamarem para participar de um vídeo em específico, vou com o maior prazer.

Enfim. O desabafo era esse.

Resumindo. Não queria deixar o sete anos de Poses e Neuroses passar batido. Nem os 1000 filmes comentados. Também quero me comprometer com novos conteúdos (que saiam do básico review de filmes) e continuar resistindo ao bom e velho blog de cinema.

Enquanto estiver oportunidade estarei por aqui.

Bons filmes sempre!