AZUL É A COR MAIS QUENTE (2013)

Azul é a Cor Mais Quente | La vie d’Adèle | dir. Abdellatif Kechiche | França | ★★★★★

Azul é a Cor Mais Quente Poster

Este talvez tenha sido o filme que mais me mantinha numa ansiedade quase inexplicável, exatamente desde que foi anunciado como o grande vencedor da Palma de Ouro, o que surpreendeu muita gente por conta das tão faladas cenas de lesbianismo. A surpresa maior é que fui totalmente levado por “Azul é a Cor Mais Quente”. O segredo do diretor tunisiano Abdellatif Kechiche é bem perceptível: ele desconstrói completamente a personagem central diante dos nossos olhos. Quase sempre fazendo uso de uma câmera fechada, a sensação que tive é que eu conheci Adèle (Adèle Exarchopoulos) nos mais íntimos detalhes psicológicos e físicos, dos poros abertos, a boca aberta enquanto saboreia o spaghetti feito pelo pai, o nariz que insiste em escorrer quando chora ou o queloide em uma das mãos. O filme, que é baseado livremente no quadrinho de Julie Maroh, irá acompanhar alguns anos da vida de Adèle, desde quando estava acabando o colegial, ainda confusa em relação à sua sexualidade. Nesse meio tempo, ela conhece Emma (Léa Seydoux), uma artista plástica de cabelos azuis alguns anos mais velha. A partir daí serão mostradas diversas fases dessa relação. As tão comentadas cenas de sexo, eu vos digo, são realmente impressionantes, no melhor sentido possível. A maior dessas cenas, que deve durar uns dez minutos, é tão entregue quanto reveladora. É possível visualizar até as estrias no bumbum de Léa Seydoux. A atriz, por sinal, está de parabéns por conseguir dar vida a uma lésbica sem apelar para a caricatura, enquanto Adèle Exarchopoulos está igualmente perfeita. “Azul é a Cor Mais Quente”, por sinal, tem um subtítulo que indica uma possível continuidade, algo difícil de acontecer depois que Léa Seydoux (inicialmente apoiada por Adèle Exarchopoulos) anunciou que não trabalharia mais com Abdellatif Kechiche, acusando-o publicamente de abusos durante as exaustivas filmagens. É uma pena. Eu ficaria MUITO mais tempo em companhia dessas garotas.

Resumo
Data
Título
Azul é a Cor Mais Quente
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

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2 Comentários

  1. Simplesmente um dos melhores filmes do ano e encontra-se na minha lista como você viu quando visitou meu blog (ainda preciso conferir o comentadíssimo “Um Estranho No Lago”). Adorei os closes e tudo de ousado e provocativo. Peguei uma sessão lotada na sala do Espaço Itaú na Augusta e devo dizer que foi um sucesso. No geral os comentários na saída do cinema eram satisfatórios. Não conheço ainda os outros trabalhos de Abdellatif Kechiche e não sabia desse lance com a Léa Seydoux, e que aliás, mesmo num papel lésbico e que à primeira vista possa afastar o público masculino, bom, esta linda, belíssima mesmo e muito sensual (gosto dela desde aquela pontinha em ‘Bastardos Inglórios’ e não por acaso o Tarantino fecha um belo close nela!). Adèle Exarchopoulos, apesar de novata, me surpreendeu muito com um papel nada fácil. O ponto alto do filme são seus olhares desconfiados, só através deles a gente sente a confusão, fragilidade, descuido, molecagem e toda uma inadequação, um dos temas presentes no filme e que mais me chamou atenção. É um trabalho notável e original.

    Obrigado por me adicionar ao Blogroll Adécio. Também te linkei.

    Abraço.

  2. Que bom que finalmente conseguiu ver o filme! É realmente uma verdadeira experiência de imersão na vida dessas personagens. A entrega das atrizes é sublime e surpreendente. Quanto a essa coisa da Léa ter acusado Kechiche, acho que é um pouco de exagero da mídia de fazer tanto estardalhaço. É claro que ela admite ter sido extremamente exaustivo e sofrido passar pelas mãos dele, afinal ele fazia inúmeros takes da mesma cena. Tudo isso para conseguir captar uma naturalidade e espontaneidade, que talvez só viesse à tona somente após as atrizes estarem exaustas. Mas, ao mesmo tempo, Léa ficou bastante satisfeita de ter tido uma experiência como essa, que foi diferente de tudo que ela já passou e que, com certeza se apresenta de forma arrebatadora para os espectadores.

    Bjos!

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