BABILÔNIA 2000 (2000)

Babilônia 2000 | dir. Eduardo Coutinho | Brasil | ★★★★

Babilônia 2000 Poster

Chegou a vez de conferir esse “Babilônia 2000”, um dos filmes mais prestigiados do documentarista Eduardo Coutinho. Depois de sua partida, o diretor se tornou um cânone entre os cinéfilos. Mas aqui eu precisei ficar ainda mais atento quanto à unanimidade de Coutinho. Assistindo aos outros filmes (sempre aos sábados à noite numa sessão via YouTube), a sensação é que o cara sabe como ninguém dar voz à anônimos que certamente têm sempre algo para contar. Entretanto, no caso de “Babilônia 2000”, eu tentei precisar de onde vinha essa cumplicidade. Afinal, o que faz com que Coutinho e sua equipe tenham tanto êxito em enfocar beleza em pessoas (aparentemente) comuns? Posso estar sendo presunçoso, mas acho que consegui desenvolver alguma conclusão. Para resumir bem do que se trata o filme,  Eduardo Coutinho e sua equipe sobem o morro das comunidades Chapéu Mangueira e Babilônia, regiões quase esquecidas de Copacabana, um dos lugares mais nobres da cidade do Rio de Janeiro. A data era 31 de dezembro de 1999, e eles tinham o desafio de passar por diversas casas, onde os moradores pudessem falar sobre o balanço de suas vidas, além dos anseios pelo novo milênio que estava chegando. De uma menina que só tinha como pedido “conhecer a Bela e a Fera”, a evangélica ex-hippie que cita Siddhartha e canta Janis Joplin, do ator de viveu O Orfeu Negro nos cinemas e a mulher que mostra com naturalidade os buracos de bala que enfeitam seu aposento, não tem como negar que o documentário é feliz em trazer essas mesmas pessoas versando sobre a realidade de suas vidas. Pra mim, o segredo de Coutinho está nisso: mostrar, sem um pingo de sensacionalismo, que todos eles, assim como eu e você, têm consciência da impunidade, da injustiça, da realidade cruel, mas, acima de tudo, privilegiam a esperança. Belíssimo trabalho.

Resumo
Data
Título
Babilônia 2000
Avaliação
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