CINQUENTA TONS DE CINZA (2015)

Cinquenta Tons de Cinza | Fifty Shades of Grey | dir. Sam Taylor-Johnson | EUA | ★

Cinquenta Tons de Cinza Poster

Muitos aqui já devem saber que “Cinquenta Tons de Cinza” é uma adaptação do best seller homônimo de E.L. James, que teve o colhão de escrever uma fan fiction de “Crepúsculo” e conseguir um sucesso estrondoso. A história é a mais cafona possível. Anastacia Steele (Dakota Johnson) é uma inocente (e virginal) estudante de literatura que é incumbida de entrevistar Christian Grey (Jamie Dornan), multimilionário que, mesmo aos 27 anos, já é dono de um império incalculável. Os dois logo se apaixonam, mas o fato do cara ser praticante de BDSM (sádico, sadomasoquista ou qualquer termo insensato ou não) pode ser um fator que pode afastá-los. O filme em si é ruim como era de se esperar, mas como acho importante ver filmes nesse nível de mediocridade para a boa formação do senso crítico, pra mim não foi necessariamente um problema. O que me interessou mesmo foi a discussão que relaciona “Cinquenta Tons de Cinza” ao machismo, algo que o roteiro parece tentar disfarçar. Pensando bem, nem tanto. Não sou grande conhecedor de BDSM, mas tenho quase certeza de que esse fetiche não é crime algum, portanto não deveria ser um tabu irrealista. Para alguém que deseja tanto que uma garota seja aberta a novas experiências, Christian Grey pouco se importa em agradar a parceira, que é colocada num status de submissão que chega a causar pena. Anastacia é praticamente aliciada a um mundo com o qual não se sente confortável, num papel de menina que é capaz de abrir mão de sua própria individualidade por um cara mesquinho, patético e mimado. E o pior é que “Cinquenta Tons de Cinza”, que muito se vendeu como um softporn “para mulheres”, não ajuda a questionar esse fator sexista. Em determinado momento do filme, Anastacia, mesmo depois de envolvida como um homem rico que lhe dá presentes caros, não hesita em ir ao trabalho como repositora em uma lojinha, a moça que estava bem próxima a mim solta um “Como ele deixa ela trabalhar???” pra uma amiga. Daí já se vê.

Resumo
Data
Título
Cinquenta Tons de Cinza
Avaliação
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2 Comentários

  1. Um verdadeiro escancarar da inconsistência de um dos roteiros mais desumanos da história do cinema. A antítese de tudo é que a direção e o roteiro do filme, e o livro que deu origem ao mesmo, são assinados por mulheres.

  2. Oi, tudo bem? Primeiro, adorei seu blog. Não costumo gostar muito de críticas de cinema porque acho uma coisa muito, muuuito subjetiva, mas é bom pra desopilar e blogs como o seu nos ajudam a conhecer filmes novos e pontos de vista interessantes. Então, parabéns! 😉
    Segundo, sobre o post em si, eu não assisti esse filme ainda (e nem pretendo, na verdade, a não ser que eu não tenha mais absolutamente nada pra fazer hahaha), mas é legal que se aborde o tema do machismo nessa obra. Principalmente por causa do seu tamanho sucesso – e mais principalmente ainda porque esse sucesso é devido ao público feminino.
    Quer dizer, é uma história fraquinha, com personagens fraquinhos e superficiais, é pior do que um pornô e pior do que um romance, porque não consegue ser uma coisa nem outra. Mas, como eu não li o livro e não assisti o filme, e depois de tantas críticas (como a sua), não pretendo mesmo fazer, não posso comentar muito sobre, hahaha. Mas a crítica está ótima, meus parabéns!

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