COM LICENÇA, EU VOU À LUTA (1986)

Com Licença, Eu Vou à Luta | dir. Lui Farias | Brasil | ★★★★★

Com Licença, Eu Vou à Luta Poster

Fazia muito tempo que eu estava querendo rever Com Licença, Eu Vou à Luta, que vi pela primeira vez numa sessão notívaga da Rede Globo e pude comprovar o talento que tem Fernanda Torres desde sempre. Aqui ela interpreta Eliane, uma adolescente de 16 anos que não se dá bem com sua mãe (Marieta Severo também excepcional) e mal troca palavras com o pai (Reginaldo Faria). Os conflitos familiares só tendem a crescer quando Eliane começa a se envolver com Otávio (Carlos Augusto Strazzer), um homem de 33 anos, desquitado, já pai de dois filhos, e que não tem uma boa fama no bairro em que vivem na Baixada Fluminense (mais especificamente em Nilópolis). Toda essa situação é narrada no livro autobiográfico de mesmo nome escrito por Eliane Maciel, que fora lançado nos idos da década de 80 e tinha a intenção de discutir o papel do jovem numa sociedade patriarcal. Não vou entrar aqui na questão moral em se tratando de um romance entre um homem mais velho e uma garota menor de idade, o que ainda é considerado um ato passível de processo nos dias de hoje. O ponto é que a confusão toda poderia ser resolvida através do diálogo, o que definitivamente não estava nos planos dos pais de Eliane. Quando é convidada a casar, a protagonista fala “Eu tô topando qualquer coisa pra me livrar daquela casa”. Para mim, o filme pode ser resumido nessa frase para entender a situação em que a personagem se encontra. Com Licença, Eu Vou à Luta foi o filme de estreia do diretor Lui Farias, que é sobrinho de Reginaldo – que está no elenco – e hoje esposo da cantora Paula Toller. Trata-se de um trabalho de extrema delicadeza, muito embora cause desconforto por retratar problemas familiares tão dificultados pela desinformação (uma gravidez antes da hora resultante da falta de falar sobre sexualidade, por exemplo). Gosto muito do filme!

Resumo
Data
Título
Com Licença, Eu Vou à Luta
Avaliação
51star1star1star1star1star

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