CUSTÓDIA (2017)

Custódia | Jusqu’à la Garde | dir. Xavier Legrand | França | ★★★★★

41ª Mostra Internacional de São Paulo

Custódia Poster

Eu vivo dizendo que falar sobre cinema, seja em qualquer veículo, também é uma forma de se expor. Seja na opinião sobre um filme que a grande maioria das pessoas ama ou odeia, seja na justificativa muitas vezes muito pessoal para justificar a classificação que você deu à obra. Assistindo à Custódia, eu tive a falta de humildade em achar que o filme dialogava muito mais comigo do que qualquer outra pessoa que estava naquela sala de cinema. Uma grande bobagem, é claro. O fato que é que tudo o que o protagonista Julien (Thomas Gioria), de 12 anos, estava sofrendo, eu também já passei por – quase – igual modo numa idade semelhante a dele. É lógico que há algumas diferenças cruciais, mas quem já passou por um lar minimamente repressivo, violento e disfuncional pode saber melhor do que estou falando. No entanto, foquemos na obra. O garoto é filho de Miriam (Léa Drucker) e Antoine (Denis Ménochet, que logo reconheci já ter visto em “Bastardos Inglórios”), que estão se separando, sob a alegação de Antoine ser violento. O ex-casal agora briga pela guarda de Julien, já que a filha mais velha, Joséphine (Mathilde Auneveux) já está na maioridade. Após a decisão de uma juíza, durante a guarda compartilhada, vamos percebendo que na verdade Antoine utiliza o seu filho para tentar se reaproximar forçadamente da ex-esposa. A partir daí, Custódia vai construindo uma tensão de maneira brilhante. Eu não vou aqui entregar o que pode acontecer no decorrer do longa, óbvio. Mas o espectador é levado a fazer os cálculos do desfecho sem se perder. É como se a gente já conhecesse histórias semelhantes, ao mesmo tempo que queremos que nada de ruim aconteça. Eu espero que Custódia chegue facilmente no nosso circuitão comercial, porque o filme é tão bom quanto necessário no momento presente.

Resumo
Data
Título
Custódia
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

comments