DESTINO ESPECIAL (2016)

Destino Especial | Midnight Special | dir. Jeff Nichols | EUA | ★★★★

Destino Especial Poster

Destino Especial” precisará de uma boa vontade de pessoas que gostam de fuçar coisas diferentes para assistir. Isso porque ele não foi lançado nos cinemas brasileiros, indo parar diretamente em serviços de streaming (por enquanto foi lançado apenas no NET NOW). Não seria surpresa se não fosse o penúltimo trabalho de um dos diretores mais interessantes da safra atual, que é Jeff Nichols, o mesmo que dirigiu os eficientes “O Abrigo” (2011), “Amor Bandido” (2012). Detalhes da história eu vou detalhar melhor na explicação (com spoilers!) que farei logo abaixo da resenha, porém, um resumo simples e aceitável seria dizer que acompanhamos um garoto de oito anos, Alton (Jaeden Lieberher), que está sendo levado pelo pai, Roy (Shannon) – juntamente com um amigo, Lucas (Edgerton) – para algum ponto que não sabemos ainda qual seja. Alton, apesar de estar sempre lendo comic books com seus óculos de natação, possui poderes especiais que são demonstrados pelo brilho nos olhos, o que provocou uma onda de fanatismo no rancho onde cresceu, sempre rodeado por seguidores. O clima de mistério poderia funcionar, por exemplo, para os fãs não avisados de “Stranger Things”, série que marcou o ano de 2016 entre os assinantes do Netflix. Todavia, trata-se de uma outra abordagem. Segundo o próprio Jeff Nichols, ele estava muito mais interessado em fazer uma reflexão sobre ser pai. As revelações vão sendo descobertas de maneira paulatina, sem subestimar a inteligência de seu público que pode (ou não) se decepcionar com alguns pontos da história. Eu, por exemplo, senti falta dos mórmons e em como funcionava a devoção diante de um mistério que se adaptou à fé daquelas pessoas. No geral, “Destino Especial” funciona graças ao seu controle (que só desanda um pouquinho no final), um elenco afiado e a proposta que gera uma boa discussão sobre fé e paternidade.

Destino Especial | Explicação

Essa área é especialmente dedicada para quem JÁ ASSISTIU ao filme “Destino Especial”. Isso significa que vou me atentar à algumas revelações e cenas que são primordiais para a história, senso assim consideradas spoilers.

Bom, se você conferiu o longa, pode estar imaginando que a revelação soa um tanto quanto complexa e desafiadora. Já lhe adianto que não vejo essa problemática toda. Por sinal, a grande sacada de Jeff Nichols, na minha opinião, é justamente brincar com essa necessidade que nós temos de querer explorar o desconhecido.

Vejamos: Alton é filho de Ron e  Sarah, porém desde cedo o garoto foi considerado “diferente”. Todos viviam no rancho de Calvin, que não tardou em adotar Alton. O menino desde cedo demonstrou uma capacidade ainda inexplicável de detectar informações criptografas por satélites que continham conteúdos tidos como confidenciais pelo serviço de inteligência norte-americano. Os religiosos logo passaram a acreditar num caráter de predestinação em Alton, o tornando uma espécie de mensageiro. Com a data para um suposto julgamento final marcado, Alton é então levado pelo seu pai, deixando os crentes achando que estavam expostos a algo trágico.

Mesmo com todos os seguidores presos, Calvin, o pastor da comunidade, envia dois sujeitos para trazer Alton de volta, enquanto o FBI e NSA, impressionados com as informações detectadas pelo garoto, também buscam a localização dele. O problema é que Roy e Lucas só conseguem viajar durante a noite com o menino, já que o mesmo possui uma condição que o impede de ver a luz do sol. Só que Alton está ficando doente, o que preocupa os dois protetores e sua mãe, Sarah. Após ele conseguir ver o sol nascer, ele utiliza o seu fortalecimento para chegar de vez à um ponto em que consegue se comunicar com os próprios entes, que são figuras brilhantes que “observam” o nosso planeta há um bom tempo (a explicação para isso não chega a ficar clara). Alton se volta à eles e é levado para a sua verdadeira casa.

Pelo que vi, é “só” isso mesmo.

Apesar da plot twist parecer simplista, é muito interessante notar que “Destino Especial” aborda a paranoia inerente do ser humano diante do desconhecido. Para um grupo de religiosos bastou o fanatismo, enquanto os céticos em nome do Governo pressupõem teoria de conspiração. Enquanto isso, Nichols desenvolve uma linda metáfora sobre o amor paterno e materno, evidenciado pelo distanciamento natural que os pais têm depois de um certo período dos seus filhos. A incompreensão co-existem com o afastamento, que, por incrível que pareça, não abala esse sentimento que só quem é pai ou mãe conhece verdadeiramente. Ter filhos também é se preparar para a separação, a solidão… enfim, o seguir natural das coisas.

E vocês? Viram um algo mais em “Destino Especial”? Aguardo as considerações de vocês na área de comentários logo abaixo. Bons filmes!

Resumo
Data
Título
Destino Especial
Avaliação
41star1star1star1stargray

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