DOMÉSTICA (2013)

Doméstica | dir. Gabriel Mascaro | Brasil | ★★★★

40º Festival SESC Melhores Filmes

Doméstica Poster

Aproveitei a oportunidade de ver “Doméstica”, graças ao Festival CineSesc Melhores Filmes, que ainda está rolando por aí. O documentário, que foi lançado no ano passado sobre gritos de “genial” por uma parcela contundente de internautas, me causava desconfiança, ao mesmo tempo em que vinha a favor de uma causa necessária (a PEC das domésticas). Olho com desconfiança principalmente por ser uma costura de olhares. Assim como aconteceu em “O Prisioneiro da Grade de Ferro” (2003), aqui não vemos a visão essencialmente autoral do criador.

O diretor Gabriel Mascaro, que já havia conquistado um bom número de admiradores por conta de “Um Lugar ao Sol” (2009), dá uma câmera para sete adolescentes registrarem, por uma semana, o dia-a-dia das empregadas de suas casas, evidenciando a linha tênue entre a aproximação pseudo-familiar e a relação servil. Eu nunca tive empregada doméstica em casa. No máximo minha mãe chamava uma diarista para ajudá-la e, ainda assim, a mulher raras vezes entrava no meu quarto. Desde cedo eu aprendi que eu devo acordar e arrumar minha cama. É talvez por isso que eu me incomode tanto em ver uma empregada doméstica tendo que fazer o mínimo dos caprichos para uma rapaziada que já tem até consciência dessa luta de classes, caso contrário eles não teriam a premissa de seus “olhares de cineastas”.

No decorrer do filme, a história que mais me chamou a atenção foi a da mulher que trouxe para casa a neta de uma caseira da avó. A mesma amiguinha que brincava com ela quando criança hoje é a sua empregada, numa espécie de herança um tanto quanto amarga. Não desmereço a aproximação que algumas famílias têm com a mulher que arrumam suas casas, mas isso fica maquiado numa segregação que – ainda mais preocupante – é benevolente. Tento não jogar “Doméstica” sob um aspecto esquerdista, até porque entendo que as necessidades de cada um pode desfavorecer um próximo, porém esse documentário simplesmente nos faz enxergar melhor o que a síndrome do pequeno poder (capitaneado pelo sistema escravocrata) pode até se modernizar, ganhar afeto, mas nunca deixa de ser estranho.

Resumo
Data
Título
Doméstica
Avaliação
41star1star1star1stargray

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