ELA (2013)

Ela | Her | dir. Spike Jonze | EUA | ★★★★★

Ela Poster

Dentre os filmes finalistas do Oscar, “Ela” era o título que mais me mantinha interessado. Podem me chamar de hipster melancólico, transcendentalista romântico, enfim, o que for. Sou grande admirador de Spike Jonze (“Quero Ser John Malkovich”) desde em que ele era conhecido como um dos diretores de videoclipes celebrado por Beastie Boys, R.E.M. ou Björk. Jonze ficou impressionado com a maneira em que ele se viu dialogando com um desses aplicativos by Apple e resolveu bolar uma história em que fosse possível a criação de uma inteligência de personalidade rebuscada a ponto de não só se comunicar, como também se relacionar inteiramente com pessoas. “Ela” se passa num futuro não especificado, mas o bastante para estarmos inserido no cúmulo da impessoalidade. Nesse contexto, vive o entristecido Theodore (Joaquin Phoenix), que trabalha numa agência que recria cartas escritas à mão. Recém-separado da mulher que tanto amava (Rooney Mara), ele se sente atraído por uma inovação tecnológica: um dispositivo cujo sistema operacional consta uma espécie de “amigo virtual”. Assim ele começa a se relacionar com Samantha (Scarlett Johansson), a voz de seu novo gadget. O universo recriado por Jonze não impressiona somente por essa racionalidade acerca da crise de comunicação em que estamos adentrando, mas também na maneira como ele observa o ser humano. A cidade futurística é muito mais espaçosa, porém nebulosa e distante. É possível também levantar a questão da contradição vendida pelas redes sociais. Afinal, por que será que algo “aproxima” as pessoas de diversas maneiras na internet, mas também as afastam na “vida real”? Isso é algo a se pensar. Hoje não são raras as vezes em que percebemos nossos próprios amigos absortos em seus smartphones, mesmo que estejam no meio de uma conversa ali, fisicamente. Ou seja, tudo é passageiro no mundo iminente de Spike Jonze, até mesmo a fantasia do amor, que, segundo a personagem de Amy Adams, é “uma forma socialmente aceitável de insanidade”. Concordam?

Resumo
Data
Título
Ela
Avaliação
51star1star1star1star1star

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3 Comentários

  1. Confesso que para mim não era o que mais me mantinha interessado em relação aos indicados oa Oscar deste ano, apesar de adorar os trabalhos de Spike Jonze mas acabou se tornando, depois que o assisti e fiquei maravilhado, o meu filme favorito.

    Sei que das estatuetas não deve ganhar muita coisa, mas é realmente um filme incrível e muito poderoso.

  2. Existem filmes que realmente ficam na história! 🙂

    Creio que este ficará por retratar de forma atual como as relações estão sendo diluídas seja por conta da própria tecnologia seja pela própria insatisfação de viver e do difícil exercício de viver em grupo.

    “Ela” representa o sonho “ideal” masculino e a independência feminina dentro de um universo de possibilidades e ilusões. Na medida que o filme avança isso fica mais evidente e uma possibilidade assustadora de como as relações sociais poderão se modificarem!

    Palmas para o diretor e todo elenco!

  3. Sim Adécio concordo sim… O amor e o mundo são insanos!

    E por mais que tentemos entende-lo fica mais difícil…

    A humanidade criou labirintos incluindo os relacionamentos que por muitas vezes muitos se perdem…

    Quanto ao filme é uma espetáculo crítico, assustador, contemporâneo, inteligente e melancólico do diretor Jonze.
    Adorei o filme porque ele consegue ser ao mesmo tempo intenso e autêntico. Além de antecipar o que poderá acontecer… e o que já acontece nos relacionamentos em meio a tantas tecnologias que surgem a cada dia, ele também enfoca a angústia de viver em um mundo cada vez mais caótico.
    Uma grata surpresa que inclui atuações em sintonia de Joaquin Phoenix e Amy Adams, além da voz deliciosa de Scarlett!!!

    Um filme para ser visto, revisto e discutido!

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