ENTRE NÓS (2013)

Entre Nós | dir. Paulo Morelli | Brasil | ★★★★

Entre Nós Poster

Preciso dizer que me senti um tanto quanto enganado por esse “Entre Nós”. Acontece que, nesse caso, a surpresa veio em forma de bom grado. Pelo pouco que havia lido sobre a obra anteriormente, presumi se tratar de um drama psicológico sobre um segredo devastador na vida de sete jovens. De certo modo, essa é apenas uma das facetas desse longa escrito e dirigido por Paulo Morelli em parceira com seu filho, Pedro Morelli.

No ano de 1992, um grupo de amigos passa uma temporada numa casa de campo. Todos intelectuais, sonham com o sucesso editorial e felicidade num futuro promissor. A ideia de enterrar cartas num baú surge para que as mensagens sejam abertas e lidas 10 anos depois. Mas uma tragédia ocorrida nesse mesmo dia irá afetar a vida de todos eles. Já em 2002, Felipe (Caio Blat), Silvana (Maria Ribeiro), Drica (Martha Nowill), Cazé (Júlio Andrade), Lucia (Carolina Dieckmann) e Gus (Paulo Vilhena) se reencontram não apenas para desenterrar o tal baú de cartas (uma interessante metáfora visual), mas para refletir sobre o que terá acontecido na vida de cada um e os efeitos causados pela tragédia ocorrida dez anos antes.

Mesmo não autorizado a esmiuçar informações importantes que permeiam “Entre Nós”, não posso me negar a dizer que se trata de um filme sobre finitude, um conceito que parece autoexplicativo e incontestável, mas que na verdade é algo complexo e se revela um fardo de difícil assimilação. Eu que o diga. Por ter perdido uma pessoa importante na minha vida (uma amiga-irmã), fico muito mais vulnerável à mensagem amarga que um filme como esse possui. “Entre Nós” vai ainda mais a fundo. É louvável surgir um trabalho que foge completamente do padrão estabelecido na nossa engessada filmografia, partindo para um drama autoral, que se sustenta num elenco de primeira linha (todos muito bem desenvolvidos) e uma direção muito segura dos Morelli. As cenas em que os embates ideológicos ou emocionais acontecem – alguns imbuídos de mágoas e paixões – são os pontos altos do filme, que, se não fosse a introdução pouco convincente, poderia se tornar uma pérola da escola tupiniquim de John Cassavetes. Surpreendentemente bom!

Resumo
Data
Título
Entre Nós
Avaliação
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