FELICIDADE (1998)

Felicidade | Happiness | dir. Todd Solondz | EUA | ★★★★★

Felicidade Poster

Fazia tempo que não me surpreendia tanto com uma reflexão causada por um filme. “Felicidade”, a principal obra do diretor outsider Todd Solondz, é um soco no estomago dado sem um pingo de compaixão. O fato é que “Felicidade”, com um título tão absurdamente irônico, foi capaz de submeter situações simplesmente inimagináveis. E parte de toda a culpa, é óbvio, provém da abordagem que o diretor-roteirista toma para seus personagens. Num ciclo de diferentes personalidades que se assemelha a um Paul Thomas Anderson ainda mais esquisitão, conhecemos uma gama de tipos completamente fora do conceito de felicidade. Joy (Jane Adams) ainda não enxerga perspectivas em sua vida, pois não consegue se encaixar profissionalmente e vive levando tocos homéricos dos homens com quem sai. Suas irmãs são mais “realizadas”, mesmo que aparentemente. Helen (Lara Flynn Boyle) é independente, mas se considera uma farsa como escritora. Trish (Cynthia Stevenson) parece ser a mãe de família perfeita, mas seu marido, o terapeuta Bill (Dylan Baker), sente uma atração doentia por crianças do sexo masculino. Completa a gama de personagens a mãe de Joy, que passa por um doloroso processo de separação do marido – que na verdade só quer ficar sozinho – e Allen (Philip Seymour Hoffman), um sujeito entediante cujo hobby é passar trotes pervertidos enquanto se masturba. Pra vocês terem uma ideia, toda essa sinopse é apenas uma pequena parcela de tantas situações completamente no sense dessa história. Entretanto, é justamente essa inviabilidade de fatos que deixa tudo muito poético. A cena em que o pedófilo – interpretado brilhantemente por Dylan Baker – tem uma conversa sincera com o filho já está entre as mais devastadoras do cinema. Repleto de situações que reinam o constrangimento alheio e uma poética ironia da sociedade norte-americana cada vez mais indiferente às pessoas, “Felicidade” se garante como uma pérola do cinema independente e (por isso mesmo) contestador.

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Resumo
Data
Título
Felicidade
Avaliação
51star1star1star1star1star

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3 Comentários

  1. “Felicidade” é um soco na cara mesmo. Provavelmente o melhor do Solondz, que vem a cada ano limitando sua forma de abordagem e enfraquecendo seu cinema.

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