GRAVIDADE (2013)

Gravidade | Gravity | dir. Alfonso Cuarón | EUA | ★★★★★

Gravidade Poster

O que posso dizer de antemão é que fazia muito tempo que eu não ficava tão aflito com um filme. As unhas dos dedos se foram, mãos suando a todo o momento e as costas tão forçadamente encostadas na cadeira que o desconforto foi imediatamente notado ao final da sessão. Depois dessa experiência, só devo dizer que “Gravidade” é um terror psicológico da mais fina arte. O filme se inicia numa missão que parece ser simples. A engenheira Ryan Stone (Sandra Bullock) vai à uma estação espacial para fazer manutenção junto com uma equipe de mais três pessoas, além da supervisão do experiente Matt Kowalski (George Clooney). Os problemas se iniciam depois que uma colisão em outro ponto do espaço acaba resultando uma série de destroços de um satélite russo viajando a centenas de quilômetros por hora. Os tais destroços atingem a estação em que Ryan e Matt se encontram, deixando-os à deriva no espaço. Por ser um genuíno exemplar de ficção científica, “Gravidade” necessita de um diretor que compreenda exatamente tudo o que aquele contexto pode representar. Ou seja, esqueça a possibilidade de haver som no espaço, algo que, segundo as leis da física, só seria permitido num meio em que contenha átomos da matéria que possibilitem a propagação de ondas sonoras. O mexicano Alfonso Cuarón – que também foi responsável pelo roteiro ao lado de seu filho, Jonás Cuarón – foi respeitoso com cada pressuposto que a história trabalha. A câmera de Cuáron passeia lindamente pelo espaço junto aos seus protagonistas. E não posso deixar de falar do bom uso do 3D (recurso do qual não sou grande fã), sendo justificado pela indispensável profundidade de campo e dar ainda mais ênfase em momentos catárticos como a lágrima em gravidade zero. “Gravidade” ainda conta com um final essencialmente filosófico, que transcende toda e qualquer comparação com outros filmes do gênero em muitos anos.

Resumo
Data
Título
Gravidade
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

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2 Comentários

  1. Parabéns, até aqui foi a melhor crítica que li do filme.

    Excelente o seu texto e a obra de Cuarón que, além de ser um grande thriller de suspense com um vilão tão opressor como o espaço, reserva momentos “filosóficos” como você mesmo disse, tem uma cena (mais de uma até) que nos remete ao “renascimento”, etc.

    Digno realmente de estar presente na lista de melhores do ano e de receber muitos prêmios ano que vem.

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