GREY GARDENS (1975)

Grey Gardens | dir. Ellen Hovde, Albert Maysles, David Maysles, Muffie Meyer | EUA | ★★★★★

Grey Gardens Poster

Em 1972, numa área nobre em Nova York (mais precisamente em East Hampton), uma casa de luxo estava sendo denunciada por vizinhos à vigilância sanitária pelo mau cheiro, mato alto, infestação de ratos e janelas deterioradas. A surpresa é que lá viviam duas senhoras: Edith Ewing Bouvier Beale e Edith Bouvier Beale, mãe e filha, duas outrora socialites da alta sociedade nova-iorquina que agora viviam há mais de vinte anos praticamente sem contato com o mundo exterior e entregues aos próprios devaneios. Para maior surpresa, eram parentes de primeiro grau da ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy. Três anos depois do escândalo midiático e uma pequena ajuda de Jackie, os irmãos documentaristas Albert e David Maysles foram autorizados a entrar em Grey Gardens e filmar o dia-a-dia daquelas mulheres. E o resultado é impressionante. É comovente se dar conta de que o ser humano pode ser diminuído diante de uma sociedade tão injusta e desigual, que não pouparia nem mesmo duas dondocas que cresceram em meio aos privilégios que toda família rica poderia usufruir. Como os Meyles não fazem muitas perguntas, as razões pelas quais Big e Little Edie se encontram naquela situação são apresentadas de maneira dedutiva entre os impagáveis diálogos que nem mesmo os melhores dramaturgos seriam capazes de criar. Dentre os embates difíceis de serem vistos, Big Eddie joga na cara da própria filha o fato de não ter casado mesmo com todas as suas qualidades enquanto jovem. Já Little Eddie culpa a mãe por praticamente prendê-la naquela casa enquanto seus sonhos eram seguir suas inclinações artísticas na metrópole. Essa relação de dependência é filmada sem grandes interferências numa das principais características do “cinema direto”, uma espécie de avô do reality show que conhecemos hoje. Little Eddie, por sinal, é a razão pela qual eu cheguei a “Grey Gardens”. Enquanto documentário, “Grey Gardens” é mais do que um marco artístico, pois é um caso atemporal de um drama cuja função é nos dar a certeza de que nem sempre é preciso de elementos ficcionais para nos impressionar positivamente. É uma joia!

Resumo
Data
Título
Grey Gardens
Avaliação
51star1star1star1star1star

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