HEMEL (2012)

Hemel | dir. Sacha Polak | Holanda | ★★★★

36ª Mostra Internacional de São Paulo

Hemel Poster

“(…) O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha. (…)”.

A passagem acima é um recorte de uma famosa crônica escrita por Arnaldo Jabor que acabou inspirando uma icônica música de Rita Lee. É também uma lembrança inevitável quando se assiste “Hemel”, drama erótico holandês da talentosa diretora Sacha Polak, trazendo uma história intensa, envolvente e transgressora. Nela, Hemel (Hannah Hoekstra) é uma moça que não está lá muito interessada em romances. Enquanto macula suas relações com uma grande cartela de homens, ela se dá conta de que sua vida não passa de um inerente vazio. Quando seu pai (Hans Dagelet) anuncia o namoro com uma moça tão jovem quanto a própria filha, Hemel de início rejeita a “madrasta”, mas quando percebe a seriedade do envolvimento do seu pai, ela tenta trilhar a dúvida sobre as diferenças entre amor e sexo.  Afinal, qual seria a dela? Síndrome de Tourette? (Ela mesma brinca com essa hipótese, já que está sempre falando de termos sexuais na primeira oportunidade), Complexo de Electra? (De fato, a relação com o pai é algo suspeito. É só reparar na cena da ópera). Síndrome de Borderline? Ninfomania? Muitas hipóteses poderão levar a lugar nenhum. O que é claro na história toda é que Hemel tenta experimentar empiricamente os seus dotes, excluindo toda e qualquer possibilidade de afeição. Quando encontra um homem capaz de acariciá-la depois do sexo, ela mesma confessa que prefere agir como num acasalamento de leões, no qual o macho copula, deita e dorme. “Hemel” tem enfoques inspirados e a trilha incidental tão característica eleva ainda mais o clima de submundo que jaz no filme. Com atuações corajosas, a obra tem, como única ressalva, o fato de ser esquemático, principalmente da metade para o final.

Resumo
Data
Título
Hemel
Avaliação
41star1star1star1stargray

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