HOLY MOTORS (2012)

Holy Motors | dir. Leos Carax | França | ★★★★★

Holy Motors Poster

Apesar de já estar avisado sobre a densidade contida em “Holy Motors”, eu até achei que ia ser uma experiência sensorial do nível de David Lynch. Mas não é de assustar não. Nessa volta de Leos Carax, apesar de seu primeiro contato ser um tanto quanto onírico, deixa fácil absorver o universo existente dentro da própria obra. Sua linguagem não é convencional, mas pelo menos possui integridade em seu discurso. Fica complicado fazer uma sinopse coerente, já que “Holy Motors” não vai entregar isso de bandeja. Posso fazer, no máximo, uma breve amarrada no que eu desconfio que seja.

O filme se inicia com o despertar do próprio Leos Carax, que estava dormindo em um hotel. Ao abrir uma das paredes de seu quarto – que nada mais é do que um portal -, ele vai parar numa sala de cinema que contém uma plateia dormindo profundamente. O que eles assistem é uma garota numa daquelas janelinhas de navio, que mais tarde se revela uma casa, onde sai o Sr. Oscar (Denis Lavantde), que está indo para o trabalho. Seu ofício em encarnar variados personagens que possuem alguma missão, algumas delas pouco inteligíveis. E é isso. Não adiantará procurar informações sobre a utilidade desses personagens, muito menos a intenção destes.

A brincadeira aqui é embarcar no cinema bizarro, numa experiência transcendente feita, principalmente, para os amantes da sétima arte. Na minha segunda etapa de interpretação, eu diria que a obra serve como um tributo à atuação existentemente numa experiência que vai de encontro ao surrealismo, o que dá caldo para algumas dúzias de outras leituras. Existe também certa crítica à produção cada vez mais rasteira do cinema, que não estimula o seu público. Talvez venha daí a plateia dorminhoca no começo do filme ou a conversa (que pra mim é a peça-chave) que o Sr. Oscar tem com o personagem de Michel Piccoli.

Em resumo, posso dizer que “Holy Motors” é um exercício de bom gosto. Um exercício que, para o nosso próprio bem, vai nos cutucar para analisar até que ponto podemos brincar com a subjetividade do nosso julgamento enquanto cinéfilo.

Resumo
Data
Título
Holy Motors
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

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3 Comentários

  1. Acredito que a melhor beleza do filme é esta realmente, dar diversas interpretações e leituras onde, nenhuma delas, será de alguma forma 100% coerente.

    Dá para cada um tirar suas próprias interpretações.

    Vi uma das piores cenas e uma das melhores cenas do ano neste filme; 1 – pior quando o sujeito está com membro ereto, terríve; 2 – melhor aquela que ele sai com um grupo tocando sanfonas e tal

    Enfim, de início eu pensei “que merda é essa”. Ai depois fui deixando o filme me levar e quando percebi ele tinha terminado e, estranhamente, tinha gostado do que vi. Só não sei mensurar o quanto e tampouco dar uma classificação.

    Gostei bastante de sua crítica, parabéns.

    • Marcio.

      Eu só não fiquei mais chocado com a cena da ereção porque achei mega fake, e fiquei mais atônito com o constrangimento visível de Eva Mendes. Coincidentemente, a parte da banda é a minha preferida. =)

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