INTERIOR. LEATHER BAR. (2013)

Interior. Leather Bar. | dir. James Franco, Travis Mathews | EUA | ★★

21º Festival Mix Brasil São Paulo

Interior Lether Bar Poster

James Franco é uma celebridade que sempre deixa a sua sexualidade ser amplamente discutida. Dessa vez, ele se juntou ao polêmico Travis Mathews num projeto inicialmente interessante. Fazendo alusão ao filme “Parceiros da Noite” (1980), filme de William Friedkin em que Al Pacino interpreta um policial que se infiltra no submundo sadomasoquista de Nova York para investigar assassinatos em série contra homossexuais, Franco e Mathews pretende agora recriar os 40 minutos que foram censurados do famoso filme que, para garantir uma classificação etária mais amena, teve que submeter aos cortes de cenas. Isso é avisado logo no início de “Interior. Leather Bar.”, além de ter sido assim vendido. O problema é que não passa de uma propaganda enganosa. A sinopse mais condizente seria dizer que o filme é um mockumentary em que os idealizadores do projeto iniciam a produção da tal cena. O ator Val Lauren ganha o título de protagonista, já que irá enfrentar um enorme dilema profissional diante da ideia de estrelar um filme com fortes cenas de sexo entre homens. Até aí, nada demais. O problema é que o falso documentário é pedestre, praticamente todo mundo fala sem naturalidade. A questão primordial que está em jogo (afinal, o sexo explícito acrescenta valor à obra de arte?) não é respondida, nem sequer é debatida de uma maneira convincente. Ou seja, a impressão que fica é que o projeto é uma tentativa de se fazer valer pela polêmica pura e simplesmente. A seu favor, existe uma breve (e interessante) discussão entre James Franco e Travis Mathews, na qual o primeiro relata o incômodo em se ver pensando como a sociedade que o cerca o obriga a pensar, além de levantar o pensamento de que os gays, quando enfim conquistarem seus direitos, irão perder a sua identidade transgressora. Fora isso, desconfio que “Interior. Leather Bar.” seja apenas barulho.

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3 Comentários

  1. Não sei se concordo que o filme possa talvez ter ficado um pouco perdido na sua intenção. Acho que vale ressalvar sobre o descortinamento proposto pelas imagens que estamos vendo. Além da discussão a respeito da exposição da sexualidade, no caso gay, no cinema, o filme também abre o leque para que questionemos e fiquemos constantemente em dúvida sobre o que é genuíno nas palavras que estão sendo ditas. Ou seja, elas são espontâneas ou foram roteirizadas? Numa época em que vivemos um bombardeio de “reality” shows, acho que a proposta tem lá o seu valor.

    PS: Descobri esse seu espaço, por acaso, quando procurava sobre o filme “Compliance”. Desde então, passei a frequentar. Suas críticas são muito boas!!

    • Olá, Larissa. Obrigado pelo elogio. Depois quero saber sua opinião sobre Compliance!

      Sobre o filme de Franco, bem, eu assisti ao filme com um amigo que tem a mesma opinião que a sua. Não deixa de ser uma leitura válida e, devo concordar, tem as suas conexões.

      Grande abraço!

  2. O filme é uma enorme porcaria. Nem o que poderia ser interessante, a meu ver, a tentativa de fazer um meta-filme-pseudo-doc no momento em que Val lê o roteiro e o que está escrito é o que estamos vendo (logo não se trata de um filme sobre a recriação dos tais 40 minutos, mas de um filme ficção sobre o processo de tentar recriar esses malditos 40 minutos) se perde no esnobismo mal disfarçado do Franco. Eu acho a cena da discussão um engodo arrogante: Franco não sabe do que fala, não tem informação e essa tal pressão sofrida por ele é uma piada. Assistam “Parceiros da Noite”, não percam tempo com o Franco.

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