IRREVERSÍVEL (2002)

Irreversível | Irréversible | dir. Gaspar Noé | França | ★★★★

Irreversível Poster

Assistir a “Irresistível” é uma experiência marcante para todo mundo, acredito eu. Na época em que foi lançado no Festival de Cannes de 2002, no qual concorria à Palma de Ouro, cerca de 200 pessoas (quase 10% da plateia presente) saiu da sala no meio da exibição, tamanha a tensão utilizada na obra. Ainda assim, eu posso apostar que o argentino Gaspar Noé estava adorando aquela reação, porque sem dúvidas foi tudo calculadamente pensado por ele. O mais interessante é que o filme nos confronta. O tema em si é pesado e imoral, mas, por outro lado, é uma obra genial no que se refere à técnica cinematográfica. A história é contada de trás para frente – é a mesma dinâmica já vista em “Amnésia” (2000) – e mostra a procura do raivoso Marcus (Vincent Cassel) por um homem. A intenção é se vingar do ataque sofrido pela namorada Alex (Monica Bellucci), que fora estuprada e covardemente agredida numa passagem subterrânea no meio da noite. “Irreversível” tem a fama que tem por conta de duas cenas já históricas. Em uma delas, Monica Bellucci é estuprada numa cena que dura uns dez minutos sem cortes e disfarces, a não ser o pênis do agressor posteriormente colocado com efeitos especiais. Em outra cena, um homem tem seu rosto completamente esmagado por um extintor de incêndio, e a câmera de Gaspar Noé não faz questão de desviar e mostra tudo nos mínimos detalhes. São imagens fortes, é verdade, mas em nada redime os investimentos estilísticos do diretor. Sua câmera nauseante é capaz de sair e entrar de um automóvel em pleno movimento em outro plano-sequência fantástico. E o som que se assemelha a um terremoto também colabora para o extremo desconforto do espectador. São características que somente confirmam que “Irreversível”, DEFINITIVAMENTE, não é um filme pra sentar e relaxar.

Resumo
Data
Título
Irreversível
Avaliação
41star1star1star1stargray

Comentários (via Facebook)

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Um comentário

  1. Eu tenho uma teoria muito particular (e talvez viajante) a respeito desse filme. Acredito que o ponto de vista da câmera é do bebê que ela está esperando e que só iremos descobrir no final. Porque isso justificaria os tonteantes movimentos de câmera no início do filme e que, com o decorrer da narrativa vai se estabilizando. Se pensarmos na ordem inversa que a história é contada, o momento mais cambaleante da câmera seria justamente o momento em que ela está sendo estuprada, e por sua vez, o feto estaria sendo assassinado. Não sei se é muita viagem minha, mas a minha suspeita faz sentido ainda mais quando se mostra na cena final a Mônica e o Cassel na cama e ao fundo pregado na parede há um poster de “2001, Uma Odisseia no Espaço”, cuja imagem é justamente o rosto de um bebê. Afinal, em filmes desse tipo, nada é gratuito!

    Bjos

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