JOE (2013)

Joe | dir. David Gordon Green | EUA | ★★★

Joe Poster

É curioso ver esses filmes de redenção para astros de Hollywood tidos como piada em seu meio artístico. Nicolas Cage nunca foi exatamente um fracasso. Já ganhou Oscar por “Despedida em Las Vegas” (1995), estrelou filmes de Martin Scorsese, Spike Jonze, Brian De Palma, David Lynch, Norman Jewinson, irmãos Coen… além de não ter deixado a carreira de lado, mesmo que tivesse há uma década só fazendo caça-níqueis. O problema é que a insistência em se fazer de canastrão o tornou uma paródia de si mesmo, e caiu na fenda dos trolls de internet, que imortalizaram o ator como sinônimo de riso involuntário. Em “Joe”, filme de David Gordon Green (“Segurando as Pontas”, “Prince Avalanche”) que fez bonito no último Festival de Veneza, Cage interpreta o personagem-título, um homem errante e solitário, que trabalha arduamente com sua equipe de lavradores envenenando as árvores de áreas de mata fechada para que essas possam ser derrubadas sem infringir leis ambientais. Para mudar sua vida, surge Gary (Tye Sheridan), um pré-adolescente que acaba de chegar à região e sofre com o pai violento. Mesmo sendo interessante, não podemos negar que “Joe” seja um filme completamente previsível, dada a sua estrutura típica de “buddy film” e uma tendência estranha que vem seguindo ultimamente em filmes de prestígio. É só ver o exemplo recente de “Amor Bandido” (2012), que também é protagonizado por Tye Sheridan. Entre cenas bizarras (um cervo sendo esfolado com a maior naturalidade possível) e outras tocantes (a interação lúdica entre Gary e seu pai alcóolatra), “Joe” acaba se tornando um filme híbrido, com poucas surpresas, mas muito bem realizado. Um dado interessante: o amador Gary Poulter, que interpreta o pai de Tye Sheridan no filme, era realmente um morador de rua que sofria com o alcoolismo. Ele tragicamente foi encontrado morto em Austin alguns meses depois de finalizarem as gravações.

Resumo
Data
Título
Joe
Avaliação
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Um comentário

  1. É fato que sempre podemos esperar o pior vindo de Nicolas Cage, porém acredito que chegará um dia em que ele, quando menos esperarmos, escancará uma grande atuação que deixará todos boquiabertos. E isso é típico dele, vide a distância em anos de “Feitiço da Lua” para “Despedida em Las Vegas” e “Adaptação”

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