JUVENTUDE (2015)

Juventude | Youth | dir. Paolo Sorrentino | Itália | ★★★★

Juventude Poster

O diretor italiano Paolo Sorrentino parece ser a porta de entrada para que eu possa um dia gostar do cinema de Federico Fellini (quem me acompanha sabe que eu detesto). Isso porque Sorrentino tem grande influência felliniana em seu trabalho, que é quase onírico, com uma elogiável abertura para o novo sem se desvencilhar do clássico. Porém, devo concordar que este é mais acessível e, se comparado aos seus colegas contemporâneos, bastante ousado. Após surpreender positivamente com o estranho “Aqui é o Meu Lugar” (2011) e o premiado “A Grande Beleza” (2011) – do qual gosto bastante! – Sorrentino vem com mais um exercício estilístico nesse “Juventude”, um dos indicados à Palma de Ouro no último Festival de Cannes. O enredo se passa num hotel de luxo nos Alpes suíços. Lá, estão hospedados dois grandes amigos octogenários. Fred (Michael Caine) é um músico que se recusa a sair da aposentadoria mesmo sendo convidado de honra para reger uma orquestra, enquanto sua filha e assistente, Lena (Rachel Weisz), o faz companhia após ser repentinamente abandonada pelo marido. Já Mick (Harvey Keitel) é um cineasta em plena atividade tentando finalizar seu novo filme com um grupo de jovens roteiristas. Além de Fred e Mick, o hotel ainda conta com hóspedes impagáveis, como o ator em busca de inspiração para o seu novo papel (Paul Dano), um ex-futebolista obeso nitidamente baseado no Maradona e uma Miss Universo de inteligência subestimada. Enfim, são apenas algumas das figuras bizarras que desfilam no decorrer da obra. Apesar da sensibilidade em discutir a velhice e a morte iminente, “Juventude” tem um humor bastante peculiar, o que fica evidente com a passagem da cantora Paloma Faith interpretando ela mesma numa sátira ao show business. Para quem está curioso com Jane Fonda após a sua indicação ao Globo de Ouro de atriz coadjuvante, é importante saber que a sua presença é realmente impactante, embora rápida, infelizmente. “Juventude” é em grande parte divertido, mas também é muito estranho. É possível rir e ficar triste num trajeto bastante tortuoso, o que nesse caso não é necessariamente um problema, a não ser no desfecho, que acaba destoando do restante da obra.

Resumo
Data
Título
Juventude
Avaliação
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