LINCOLN (2012)

Lincoln | dir. Steven Spielberg | EUA | ★★

Lincoln Poster

É preciso ter muita cautela ao falar mal de “Lincoln”. Não é porque eu não gostei do filme que eu irei destilar todo o veneno possível para destrata-lo. Preciso, antes de qualquer coisa, saber se ele é feliz na sua finalidade. E quer saber? Isso é inegável. Toda a produção tem um único propósito: fazer um trabalho acadêmico. Isso significa que não basta Steven Spielberg estar na direção, pois tem todo um aparato técnico. Mas justiça feita. O filme é tão chato quanto aqueles colóquios pretensiosos e prolixos que vemos tantas vezes na faculdade. Passado em 1865, o filme se concentra no início do segundo mandato de Abraham Lincoln (Daniel Day-Lewis), que fora reeleito em meio a uma árdua guerra civil, comumente conhecida como a Guerra de Secessão. A briga do Norte industrial contra o Sul latifundiário já estava findando e Lincoln via ali uma oportunidade de incluir a 13ª emenda na Constituição, que aboliria o sistema escravocrata. É lógico que para nós contemporâneos, qualquer pessoa que já foi PRÉ escravidão é um crápula de marca maior. Entretanto, na época em questão, o negro representava mão-de-obra barata e nem a Igreja (que sempre pregou “a verdade oriunda das Palavras divinas”) os tratava como iguais. Para Hollywood, os escravos eram seres altamente domesticados, que “aceitavam” a sua condição por não haver possibilidade de movimentação social. O Abraham Lincoln do filme não comprava a briga pela 13ª emenda como uma rinha. Seus lacaios faziam o trabalho sujo numa espécie de mensalão arcaico. As sessões de discussões na câmara estavam pegando fogo. E Lincoln ficava lá, na penumbra da Casa Branca, envolto em seus pensamentos. “Lincoln” garantiu nada menos que 12 indicações ao Oscar e mais de 150 indicações em outros prêmios durante sua campanha. De quebra, ainda bateu recordes de bilheteria nos EUA. Natural. Até porque é filme pra norte-americano amar.

Resumo
Data
Título
Lincoln
Avaliação
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Comentários (via Facebook)

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2 Comentários

  1. Ótima crítica, meu caro.
    Nosso veredicto é bem semelhante. Até comento que o filme deveria se chamar “A 13a Emenda”, pois de “Lincoln” ele tem pouquíssimos insights. E ratifico que o elenco é excelente e os aspectos técnicos são caprichados, mas o trabalho do trio Spielberg + Kaminski (foto) e John Williams na trilha já está dando no saco com a pretensão de transformar cenas banais em grandes espetáculos. Tipo, Lincoln olhando pela janela posicionado na contraluz e a trilha super “gloriosa” atrás. O mesmo aconteceu no “Cavalo de Guerra” inteiro e tä ficando chato já…

    Abs!

  2. Sem dúvida a primeira decepção cinematográfica de 2013. E serei sincero: Nem Daniel Day Lewis me cativou tanto. ELe está ótimo, mas esperava mais. Prefiro Tommy Lee Jones.

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