LUCKY (2017)

Lucky | dir. John Carroll Lynch | EUA | ★★★★

41ª Mostra Internacional de São Paulo

Lucky Poster

Lucky é um filme traz aquela aura triste já de cara pelo fato do ator Harry Dean Stanton ter falecido uma semana antes da primeira exibição desta obra. Seu personagem é Lucky, um veterano da Segunda Guerra Mundial que vive numa pequena e árida cidade do Arizona. Sua rotina é milimetricamente exercida, que consiste em acordar, fazer exercícios de ioga, tomar um copo de leite gelado, ir para a cafeteria tentar resolver palavras-cruzadas. Vez ou outra também vai para um bar noturno tomar o mesmo drinque. A solidão de Lucky não o incomoda. Pelo menos até inesperadamente desmaiar em sua própria casa, para assim ser diagnosticado pelo médico como um velho continuando a envelhecer. Ou seja, é apenas o seu corpo dando sinais de cansaço. Lucky, o filme, não fala necessariamente de seu protagonista, mas de sua condição. Estar velho é estar sentindo a morte à espreita. E o que ela representa? São muitos questionamentos que se passam com Lucky, e muitos aprendizados também. A melhor cena – devida à sua beleza metafórica – é a que David Lynch (interpretando um dos amigos do personagem-título) explica porque faz tanta questão de considerar o seu jabuti perdido num membro familiar. A direção fica por conta de John Carroll Lynch (apesar do sobrenome, não tem parentesco com David), que é ator de filmes como “Zodíaco” (2007) e “Ilha do Medo” (2010), a partir do roteiro dos estreantes Logan Sparks e Drago Sumonja. E talvez não fosse um filme tão significativo se não fosse a presença marcante de Stanton, um profissional experiente (seu primeiro papel foi em “Sinistra Emboscada”, de 1956), mas que sempre chamou atenção como o coadjuvante de cara sisuda. Assim como fez Richard Farnsworth em “História Real” (1999), temos aqui uma despedida à altura de um ator especial aos 90 anos.

Resumo
Data
Título
Lucky
Avaliação
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