MELANCOLIA (2011)

Melancolia | Melancholia | dir. Lars von Trier | Dinamarca | ★★★★

Melancolia Poster

Infelizmente, “Melancolia”, este belíssimo filme do dinamarquês Lars Von Trier, teve que ficar na berlinda no último Festival de Cannes. Tudo por conta das polêmicas declarações do diretor durante a coletiva de imprensa. Na ocasião, Trier disse “entender Hitler” e, instigado pelos jornalistas, concluiu o raciocínio torto com “Ok, eu sou nazista”, sob o olhar constrangido de Kirsten Dunst. O resultado não poderia ser pior. Von Trier foi considerado persona non grata no Festival e acabaria com todas as chances de seu filme sair com o prêmio principal. “Melancolia” se inicia com uma de suas duas partes, ao ambientar-se no casamento de Justine (Kirsten Dunst), que se vê numa depressão quase sem fim, tendo que lidar com sua complicada família. Na parte subsequente, o longa se concentra na irmã de Justine, Claire (Charlotte Gainsbourg), que se vê desesperada com a iminente chegada do planeta Melancolia, que pode colidir com a Terra a qualquer momento. Eu gostei bem mais da primeira parte do filme, retrato de um casamento à la “Festa de Família”, filme de 1998 do também dinamarquês Thomas Vinterberg. Com lindas passagens de trama e misturas de gêneros, Trier, com sua câmera na mão (forte característica do Dogma 95, movimento que ele ajudou a estabelecer), nos traz o sofrimento interno de Justine e o seu crônico vazio espiritual, tendo que transparecer uma felicidade mecânica que toda noiva é obrigada a ter no dia de seu casamento. Na segunda parte, bem menos movimentada e voltada para o desespero de Claire, o filme passa a se tornar mais ligado ao fatalismo. “Melancolia” está repleto de simbolismos. Muitos deles subjetivos, quase imersos no mundinho de Lars Von Trier (vale lembrar que o diretor já revelou ter passado pela depressão durante anos, após a morte de sua mãe), outros, que saltam aos nossos olhos. Com menos complexidade e mais poesia, o filme traz Lars Von Trier muito mais sintomático e provocativo.

Resumo
Data
Título
Melancolia
Avaliação
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Comentários (via Facebook)

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4 Comentários

  1. O acontecimento em Cannes foi lastimável. Não que eu seja contra a piada de Lars, acho sim que a IMPRENSA arruinou o individuo. Mesmo que a piada tenha sido sem graça, não deixa de ser uma piada. Enfim, acho que Árvore da Vida mereceu de qualquer jeito o prêmio.

    Quando a Melancolia, acho o longa belíssimo. Mas gosto mais de Anticristo, acho mais complexo, mais interessante, provocativa, apesar de bem mais pretensioso também. A verdade é que não sacaram que o Lars Von Trier é um baita marketeiro e provocador, só pegar o Dogma 95, movimento que nem ele segue direito, ou sua declaração em Cannes de 2010 (se não me engano é), que ele era o melhor cineasta do mundo. Só ignorar!

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