NINFOMANÍACA – VOLUME 2 (2013)

Ninfomaníaca – Volume 2 | Nymphomaniac: Vol. II | dir. Lars von Trier | Dinamarca | ★★★★

Ninfomaníaca Volume 2 Poster

Fui assistir ao “Ninfomaníaca – Volume 2” com boas intenções. Já havia gostado da primeira parte e essa segunda me pareceu bastante satisfatória, muito mais pelas discussões que não estão em primeiro plano do que qualquer outra coisa, enquanto no primeiro volume eu gostei muito mais das relações que Lars Von Trier faz para justificar o sexo como autoflagelação humana – o que é levado ao extremo aqui. Joe (Charlotte Gainsbourg) continua relatando sua vida mundana para o letrado interlocutor Seligman (Stellan Skarsgård), que mantém suas ligações metafóricas. Ela relata sua tentativa em constituir família com Jerôme (Shia LaBeouf), suas sessões de sadismo com K (Jamie Bell), o encontro com a misteriosa P (Mia Goth) e a oportunidade de trabalho dada por L (Willem Dafoe). Mesmo estando numa sessão noturna do Espaço Itaú Augusta –uma referência para os cinéfilos paulistanos – era possível escutar parte considerável da plateia gargalharem em momentos completamente inapropriados, como a cena difícil em que Joe se isola completamente para não cair na tentação de seu vício, mas acaba sendo traída pela libido ao folhear as páginas de um caderno de recordações. Mas “Ninfomaníaca – Volume 2” me satisfez por ser, acima de qualquer coisa, muito relutante em deixar tudo muito fortuito. Para mim, o filme me ganhou quando Joe discute a hipocrisia humana, que acha que está avançando a calmaria da civilidade tendo que criminalizar verbetes da própria linguagem, a maneira como respeita outro pária sexual igual a ela ou até mesmo quando ela conclui o teor machista de seu sofrimento. O filme gera muito mais controvérsia pelo fato de mostrar uma MULHER fazendo sexo porque gosta. “Shame” (2011), ainda que esteja no mesmo balaio temático, passou longe de ser tão mal encarado nesse sentido. E quem diria, justo eu, que sempre falei mal de Von Trier por ser um grandíssimo misógino, vi que ele conseguiu fazer um discurso feminista!

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Resumo
Data
Título
Ninfomaníaca - Volume 2
Avaliação
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2 Comentários

  1. Meu pai sempre disse que é muito mais fácil destruir as coisas do que construir e ainda assim há quem valorize aqueles que destroem. Me apropriando da ideia do meu pai de forma análoga aplicada a “Ninfomaníaca”, entendo que é muito mais fácil causar repulsa do que ternura, é mais simples mostrar bizarrices do que a verdadeira beleza do ser humano, é mais fácil provocar escuridão do que luz. No entanto, não há dúvida que sempre haverá quem ache esse tipo de obra algo genial. Sempre existirão aqueles, que ainda que subconscientemente, se sentem infelizes e não se satisfariam com a ideia de alguém realmente pode ser feliz de verdade. Sendo assim sempre existirá espaço para os Von Trier da vida fazerem qualquer lixo e serem aplaudidos, contanto que não existam heróis nem mocinhos na história e que todos acabem mal no fim da película. Eu sou fan do ser humano e prefiro ver ressaltadas suas virtudes sobrepondo-se a seus defeitos, porque foi para isso que nascemos. O mundo tem dois lados, ambos verdadeiros, cada um escolhe por que angulo quer enxergar.

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