O AMOR É ESTRANHO (2014)

O Amor é Estranho | Love Is Strange | dir. Ira Sachs | EUA | ★★★★

O Amor é Estranho Poster

Recentemente, a nova novela das nove na Rede Globo causou celeuma por conta de um beijo protagonizado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Além de atrizes consagradas, as duas foram alvo de polêmica por serem, acima de tudo, mulheres “de idade” encarnando um casal homoafetivo. Mal sabe a audiência da telenovela que neste momento está em cartaz um filme que poderia facilmente cair nessa problemática, já que traz dois atores veteranos formando um casal genuíno, desses que poderiam muito bem estar morando no seu prédio. Em “O Amor é Estranho“, o diretor Ira Sachs (“Deixe a Luz Acesa”) se junta ao roteirista brasileiro Mauricio Zacharias (“Madame Satã”, “O Céu de Suely”) para retratar as alegrias e dores de Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina), companheiros de quase quarenta anos que resolvem se casar. Só que, infelizmente, George é demitido do colégio católico em que trabalha e o casal passa por uma crise financeira, tendo que vender o apartamento para desafogar as dívidas. Até conseguiram alugar outro imóvel, Ben é levado pelo sobrinho para se hospedar com sua família, enquanto o esposo fica com outro casal homossexual da vizinhança. O afastamento dos dois acaba resultando numa dependência alheia que, confesso, é lacerante. Em certo momento, o personagem de John Lithgow chega a dizer que só conhecemos verdadeiramente as pessoas quando passamos a morar com elas. Eu não poderia discordar disso jamais. Ainda mais na situação frágil em que ele se encontra. No entanto, o que mais me emocionou foi ver ali que o tempo é mesmo implacável. Todos nós estamos sujeitos a sofrer tudo o que a idade avançada acarreta, o que nem sempre está relacionado à saúde, mas também à incômoda dependência de qualquer pessoa que não seja aquelas que acolhemos como o amor de nossas vidas. “O Amor é Estranho” é um filme pequeno, com poucas pessoas na sala de cinema assistindo, mas é tão implacável no seu didatismo em relação à omissão dos homens que faz com que a obra seja muito mais do que “um romance gay maduro” qualquer.

Resumo
Data
Título
O Amor é Estranho
Avaliação
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Um comentário

  1. Eu infelizmente não tive a chance de conferir esse filme, mas lembro que ele estava cotado ano passado para a temporada de premiação … verei ele em breve.

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