O CÉU DE SUELY (2006)

O Céu de Suely | dir. Karim Aïnouz | Brasil | ★★★★★

O Ceu de Sueli Poster

Há um bom tempo eu venho tentando conferir esse trabalho, que nada mais é do que uma história singela, transportada de forma segura, sem grandes disfarces – muito menos fingida – de uma garota simples, desajeitada e cheia de ambições. Grande parte de minha curiosidade se deve ao fato de ser mais um trabalho promissor do cineasta cearense Karim Ainouz, ainda em seu segundo longa, após sua estreia no visceral “Madame Satã” (2002). A

pós enfrentar dias de sofrimento numa viagem de São Paulo para a pequena Iguatu, no interior do Ceará (presumo que tenha levado quase quatro dias de incômodo), Hermila (Hermila Guedes) traz nos braços o seu filho, que teve com um namorado, com quem ela fugiu para viver o grande amor na cidade grande. De Iguatu, ela saiu sem olhar pra trás, sem sequer se despedir de sua avó e tia. Vendo que a vida não poderia ser a mesma na metrópole, Hermila volta para o nordeste com o filho, e lá espera o seu marido, que ficou em São Paulo para resolver as últimas pendências. Mas ele nunca chega. A moça se vê, então, praticamente sozinha diante da sua realidade de retrocesso. Já não basta rifar Whisky para conseguir sair daquele lugar que não a pertence. Decide, então, leiloar o seu próprio corpo para conseguir levantar uma grana, atitude que vai surpreender a árida Iguatu.

Uma das coisas que Karim Ainouz consegue pegar bem em “O Céu de Suely” é a composição da personagem principal inserida dentro de Iguatu. É interessante acompanhar a alocação de uma personalidade que terá que ser desvendada, já que ela não se expressa como esperamos que um personagem se posicione. Até mesmo quando enfrenta o descontentamento violento de sua avó, Hermila parece não conseguir esboçar nenhuma reação, quanto menos pedir um “desculpe” qualquer. Toda essa pompa de naturalismo tem, como responsável direta, a atriz Hermila Guedes, uma verdadeira força da natureza, que se torna um verdadeiro achado, graças ao seu semblante atrevido e bucólico. A obra não só tem uma relação estreita com o seu diretor (Ainouz também retorna para a sua terra, depois de ganhar o Brasil e o mundo), como dialoga facilmente com aqueles que, nem que seja por um momento mínimo, já passou pelos mesmos meandros dos quais perpassam Hermila.

O Céu de Suely”, por ser tão belo e poético (nem sempre, uma coisa é decorrência da outra), acaba valendo ainda mais a experiência.

Resumo
Data
Título
O Céu de Suely
Avaliação
51star1star1star1star1star

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