O HOMEM DAS MULTIDÕES (2013)

O Homem das Multidões | O Homem das Multidões | dir. Cao Guimarães, Marcelo Gomes | Brasil | ★★★★

37ª Mostra Internacional de São Paulo

O Homem das Multidões Poster

Um dos maiores méritos de “O Homem das Multidões” está no fato de trabalhar com o tema da solidão na cidade grande de uma forma encantadora, trazendo um olhar suprassensível para uma relação reveladora e tangível com o que o próprio filme se propõe. Resultado de uma parceria entre os diretores Marcelo Gomes e Cao Guimarães – que aqui também fecha a sua trilogia iniciada com “A Alma do Osso” (2004) e “Andarilho” (2006) -, a produção conquistou o prêmio de melhor direção no último Festival do Rio.

Na capital mineira, o lacônico Juvenal (Paulo André) é capaz de conviver numa cidade praticamente sem construir quaisquer relações sociais. Trabalhando como maquinista de trem, a única pessoa que se aproxima dele é Margô (Sílvia Lourenço), que trabalha na central de operações na mesma companhia em que Juvenal trabalha. De casamento marcado com um namorado que conhecera pela internet, ela convida o colega para ser seu padrinho de casamento.

Logo no início da projeção – que esteve dentro da programação da 37ª Mostra Internacional de São Paulo – nos deparamos com uma tela quadrada que vai imperar durante todo o filme. A inovação permite uma abordagem muito mais aproximada daqueles seres, que não fazem esforços para chamar atenção para si em um quadro (ou janela) no qual o ambiente poderia ser muito mais interessante. É válido lembrar que “O Homem das Multidões” é livremente baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe, lançado durante a gênese urbana em 1840.

Guardadas as devidas proporções, a intenção aqui é a mesma: retratar as consequências das relações cada vez menos aproximadas que a cidade grande nos atribui. A alegoria do único copo na casa de Juvenal e as amizades virtuais de Margô nos dão esse caminho para refletirmos. Durante a apresentação do filme, a atriz Silvia Lourenço foi ainda mais além ao dizer que a solidão possibilita encontros, nem que seja com nós mesmos. Parto da mesma ideia, o que garante ainda mais nuances para a obra. Trata-se, portanto, de um dos trabalhos mais delicados (embora cruel na sua temática) que vi até agora na Mostra.

Resumo
Data
Título
O Homem das Multidões
Avaliação
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