O HOMEM DUPLICADO (2013)

O Homem Duplicado | Enemy | dir. Denis Villeneuve | Canadá | ★★★

O Homem Duplicado Poster

Eu sei que muita gente vai vir parar aqui nesse texto em busca de alguma “explicação”, “interpretação” ou “análise metafórica” desse novo filme do diretor canadense Denis Villeneuve – o mesmo dos elogiados “Incêndios” (2010) e “Os Suspeitos” (2013) -, baseado no livro de José Saramago (que não li, portanto não sei dizer se é uma adaptação fiel). “O Homem Duplicado” pode até não ser um caso, digamos, acessível para a massa e até concordo que se trata de um exercício no mínimo egocêntrico de Villeneuve, o que não deixa de ser louvável.

Na trama, o professor de história Adam (Jake Gyllenhaal), depois de assistir a um filme, percebe que um mero figurante é exatamente igual a ele. Curioso em relação a essa coincidência perturbadora, ele sai em busca de seu semelhante (Irmão gêmeo? Sósia? Clone?) e descobre que ele é Anthony, um aspirante a ator que logo fica tão perplexo quanto Adam em relação à esse acaso impressionante. Entre os elogios que posso fazer à obra, destaca-se a qualidade do roteiro em relação ao uso dos elementos-chaves da trama, a atuação convincente de Jake Gyllenhaal em dose dupla e a maneira como Toronto é fotografada (impessoal e plasticamente assustadora).

É claro que “O Homem Duplicado” exige um esforço a mais dos neurônios do espectador, que, se tiverem sorte, deve discutir um trabalho como esse com mais pessoas. Por motivos óbvios, eu recomendo que deem continuidade a essa leitura somente quem já assistiu ao longa. Pelo que pude entender através de algumas cenas determinantes, é que Adam e Anthony são realmente a mesma pessoa. Basta lembrarmos da conversa com sua mãe (que entre coisas, diz que ele é seu filho único, o recomenda parar de tentar ser ator e manter-se com uma mesma mulher). Isso sem contar o fato de que ambos os personagens têm a MESMA aparência (cicatriz e barba) e em nenhum momento são vistos juntos por outra pessoa. Mas e as tarântulas? Bem, apesar do universo onírico de Villeneuve tentar confundir ainda mais a gente, eu presumo que as aranhas são metáforas para uma dessas duas coisas: 1) o desejo insaciável de Adam em trair sua esposa e 2) a repressão da figura feminina.

Recomendo assistir ao filme novamente para perceberem que tudo pode se encaixar. Essa é uma das melhores facetas da Arte.

Resumo
Data
Título
O Homem Duplicado
Avaliação
31star1star1stargraygray

Comentários (via Facebook)

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Um comentário

  1. Adécio,

    Ainda não vi o filme (incêndios e os suspeitos sim), mas a sinopse me lembra, e talvez não tenha nada a ver, o filme de Kielowski, ” a dupla vida de veronique”. Não sei se vc assistiu, mas se trata de, a personagem principal ver seu “duplo” passar, não sei num ônibus, e daí pra frente, o caos…kkkkkkkk.
    Assisti bem antes da famosa trilogia dele, e baixei para ver novamente, pois na época (eu era apenas uma adulta jovem…), não entendi bulhufas…
    Apenas para compartilhar. Abraços

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