O REI DAVE (2016)

O Rei Dave | King Dave | dir. Daniel Grou | Canadá | ★★

40ª Mostra Internacional de São Paulo

O Rei Dave Poster

Eu não sei até que ponto o ator Alexandre Goyette é popular no Canadá. Pelo menos é uma figura cuja presença esteve em pelo menos dois filmes de Xavier Dolan – “Laurence Anyways” (2012) e “Mommy” (2014) -, o que aponta certo reconhecimento na área. Goyette escreveu a peça que serve de base para esta adaptação chamada de “O Rei Dave”, um dos filmes mais distinto que pude ver na Mostra. Digo distinto porque todo o filme foi gravado com a impressão de ser um grandioso plano-sequência, algo bem parecido com o que vimos em “Birdman” (2014), com a diferença de não se fixar no mesmo local e tempo cronológico. Ou seja, num momento Dave está no metrô, daí sai em sua casa, abre uma porta e está numa festa… O problema é que Dave (interpretado pelo próprio Goyette, que também assina o roteiro) é tagarela em demasia, porque fala tudo o que pensa e faz na tela. A dinâmica funciona no início, mas quando a gente percebe que vai ser assim até o final, haja saco pra aguentar. Eu diria que não é nem o desafio orquestrado que cansa, mas o fato de Dave ser irritante, levemente machista, racista e homofóbico. O drama em levar um pé na bunda da namorada (depois descobre que ela está saindo com um amigo seu), a mãe que insiste que ele volte aos estudos ou a sua covardia que ele insiste em renegar na sua pose de macho alfa, enfim, é tudo muito fake diante da sua mediocridade. Não me impressiona, todavia, o fato de “O Rei Dave” ter conquistado certo respeito em festivais mundo afora, pois enquanto linguagem dá pra se divertir com a forma em que foi concebido. Mas é aquela velha história: forma nem sempre acompanha conteúdo. E no caso desse filme, o formato falou bem mais alto.

Resumo
Data
Título
O Rei Dave
Avaliação
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