O SUBSTITUTO (2011)

O Substituto | Detachment | dir. Tony Kaye | EUA | ★★

O Substituto Poster

Confesso que, por motivos diversos, estava muito curioso para conferir esse filme. Ainda mais porque trata-se da volta do excêntrico diretor Tony Kaye para um longa convencional desde o chocante “A Outra História Americana” (1998). Lançado no Festival de Tribeca em 2011, “O Substituto” chega ao mercado de home vídeo esse mês, o que já é grande coisa, visto que não será acessível para o grande público. Apesar de ser um grande banho d’água fria, o filme realmente tem um argumento bem interessante, que será muitas vezes deixado em segundo plano para investir na introspecção do desinteressante personagem central. Henry Barthes (Adrien Brody) é um daqueles educadores que acreditam no diálogo aproximado com os alunos para os salvarem do desinteresse que enxergam na educação. Ele é chamado para ser professor substituto de uma escola do subúrbio nova-iorquino. Até aí, será mantida a mesma ladainha de sempre, com jovens rebeldes, agressivos, com espaço para bullies e a deslocada que tem a veia artística aguçada. Barthes irá buscar a via do diálogo com os alunos, visitar seu avô no asilo, assombrar-se com visões do passado e acolher Erica (Sami Gayle), uma prostituta adolescente, a quem ele concede não só um teto e uma cama, mas uma atenção que ela jamais tivera antes. “O Substituto” tem, ao seu favor, uma estética diferenciada e uma série de inserções gráficas feitas em quadro branco, o que deixa a fita um pouco mais interessante. O tema central da história, além do brinde ao fracasso estigmatizado na figura do professor Henry, garantiu o meu interesse até os seus minutos finais, mesmo que tenhamos que enfrentar uma série de ladainhas até o desfecho. Além disso, existe aqui uma associação incrível entre o papel da escola e seus moldes tradicionalistas com o conto “A Queda da Casa de Usher”, de Edgar Allan Poe. O único ponto alto de tudo o que vi.

Resumo
Data
Título
O Substituto
Avaliação
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Comentários (via Facebook)

comments

6 Comentários

  1. Bom … como você admitiu seu erro … está perdoado … kkkk …. 😉
    O filme é para “poucos”?? … vou considerar isso um elogio! ….kkk
    O fato de não ser reconhecido para mim não significa NADA…
    Aquele filme “O Lado Bom da Vida” foi indicado, ganhou Oscars e tal .. e eu achei uma bosta … ( ou será que eu quem não entendi o filme??)

    Ah .. e já tinha virado fã com sua crítica do filme dinamarquês “O Amante da Rainha”, então quando vi essa crítica pensei … é … nenhum crítico é perfeito! 😉 … kkkkkk …. brincadeirinha …

    Grande abraço!

  2. “… desinteressante personagem central…” … Desinteressante??? …
    Achei ele fantasticamente bem elaborado!!!
    “uma série de ladainhas até o desfecho…” … ????? …. What ????? ……….
    Poxa vida, não poderia discordar mais de você!! …
    A brilhante atuação de Adrien Brody para mim, faz com que o filme ganhe nota máxima !!! ….
    Adorei também os flashs com suas lembranças … demonstrando claramente os motivos de seus traumas … as imagens valem mais que mil palavras…

    Um abraço!!… 🙂
    P.S.: conheci recentemente seu blog … acho que virei fã! 😉

    • Oi, Izabela!

      É… eu confesso que peguei pesado com o filme. Mas, convenhamos, o filme é para poucos, tanto é que nem chegou a ser devidamente conhecido. Todavia, fico feliz que tenha conquistado uma fã para o blog mesmo divergindo tanto em opiniões.

      Um abraço!

  3. Acredito que a identidade de gosto é gerada a partir da capacidade de reflexo que temos com os objetos e é derivada das experiências vivenciadas por nós. Gostar de um poema é de certa forma tê-lo “escrito”, ainda que adaptasse um dos versos. Assisti ao filme ontem e o vejo como um ótimo filme de drama. O filme aprofunda as questões até o ponto de chegarmos a outras questões, o que representa o ponto alto do conhecimento ou do avanço de um ideal: perguntas devem ser situadas no contexto de outras perguntas de forma coerente e prontas para trazerem mais resultados que qualquer resposta axiomática. O Adrien Brody é um ótimo ator, principalmente para este tipo de filme (drama). Ele é um artista da dor. Ousaria dizer quer ele está traduzido no poema de Fernando Pessoa:
    Autopsicografia

    O poeta é um fingidor.
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.

    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.

    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

    Respondendo as diversas críticas do posted acima:
    Crítica do posted: “Apesar de ser um grande banho d’água fria, o filme realmente tem um argumento bem interessante que será, muitas vezes, deixado em segundo plano para investir na introspecção do desinteressante personagem central”.

    minha opinião: de antemão, a introspecção do protagonista é uma das coisas mais interessantes do filme e compõe a temática de que os traumas e dramas que se vivi afeta o talento, as capacidade e resultados em todas as esferas da vida cotidiana das pessoas. Logo esse caso também faz parte do chamado “argumento interessante”. não entendi o se quis dizer com a expressão “Apesar de ser um grande banho d’água fria”.

    Crítica do posted: “Até aí, será mantida a mesma ladainha de sempre, com jovens rebeldes, agressivos, com espaço para bullies e a deslocada que tem a veia artística aguçada”.
    Minha opinião: Que ladainha?! Essas questões podem se tornar banais, mas não deixarão de serem problemas graves. Os ambientes, situações e personagens, se sucedem na realidade tal qual exposto no filme e não há espaço para o autor se arrogar a subverter este fato só para que alguém não chame de “a mesma ladainha de sempre”. Apresentar um ponto de vista o da “deslocada com veia artística”, não significa fechar o campo da especulação de que “todos” são deslocados, “todos” são artistas.
    Crítica do posted: “personagens ou atores mal aproveitados”.
    Minha opinião: Todos no filme têm exposto parte de suas vidas e seu drama, principalmente o ator principal. Irônico, não?!
    Crítica do posted: “Os dramas desses coadjuvantes, que nada mais são do que educadores/conselheiros, não encontram espaço nas inúmeras portas que a história insiste em abrir”.
    Minha opinião: Adorei o “nada mais são que”! Assim como um pedreiro nada mais é que um pedreiro, ou o diretor nada mais é que diretor, ou o professor nada mais é que professor. Parece até uma tautologia! Acredito que tenha sido percebido que todas as portas diferem em suas restrições socio-históricas (dada as experiências vividas por cada um), e cada um age conforme seu “mundo” e de forma diversa dos outros diante das situações similares vivenciadas. Mas as portas se unificam quando estão sujeitos as mesmas situações, ambiente e condições, mostrando que todos possuem uma complexidade, um vazio, que acredita ser a distância entre eles.

    Crítica do posted: “Que o filme é raso como um pires, eu acho que já deixei um tanto quanto claro, mas o curioso é que isso parece ser efeito da ambição exagerada no roteiro assinado por Carl Lund”.
    Minha opinião: Infelizmente, a apercepção de algumas pessoas é mais rasa que um pires. Acredito que o roteirista fez um trabalho primoroso

    • Cara! Belíssimo trabalho de refutação.

      Deu pra ver que você não só é um admirador do filme, como tentou dissecá-lo de uma maneira que, pra você, é adequada. É assim que o cinema funciona. De interpretações.

      Não vou entrar no mérito do gosto, porque você já matou a charada logo no primeiro parágrafo da sua resposta:

      “Acredito que a identidade de gosto é gerada a partir da capacidade de reflexo que temos com os objetos e é derivada das experiências vivenciadas por nós”.

      Eu sempre defendi isso. Existem filmes que MUITO falam pra mim, mas que estão longe de ser unanimidades entre cinéfilos.

      Irrefutavelmente, o cinema é uma arte subjetiva. Não entrarei num espiral de “mas eu vi dessa forma, você viu de outra”, porque, meu caro, isso, quando não chega a lugar nenhum, demora tempo para chegar num veredito.

      Autorizei sua resposta ao post para que, futuramente, alguém saiba que um leitor teve uma visão completamente oposta à minha. É difícil imaginar, mas isso só me faz acreditar ainda mais na capacidade do cinema em ser posto à discussão.

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