OS OITO ODIADOS (2015)

Os Oito Odiados | The Hateful Eight | dir. Quentin Tarantino | EUA | ★★★★

Os Oito Odiados Poster

Podem falar o que quiserem do cara, mas Tarantino certamente não está enquadrado na categoria dos diretores acomodados, mesmo que suas obras tenham inúmeras referências (e reverências) aos filmes que o definiram como cinéfilo, ou com resgastes à sua própria filmografia que nem é tão longa assim. Em “Os Oito Odiados”, ele retorna ao estilo que ele mesmo fomentou nos anos 90 com “Cães de Aluguel” (1992). Basicamente, estamos falando de personagens debatendo em grande parte num único ambiente, onde emerge tensão, revelações, traições, novas perspectivas, enfim… tudo pode acontecer. O contexto é a América pós-Guerra Civil no inverno de Wyoming. O caçador de recompensa Major Marcus Warren (Samuel L. Jackson) consegue uma carona na carruagem de outro caçador, John Ruth (Kurt Russell), que leva a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para ser enforcada em Red Rock. Por conta de uma tempestade de neve, eles são obrigados a se instalar num armazém no qual está o restante dos mais impagáveis personagens. Muitos podem considerar “Os Oito Odiados” um híbrido óbvio entre o já citado “Cães de Aluguel” e “Django Livre” (2012), o antecessor de Tarantino. É possível fazer essa conexão, entretanto, não vejo nenhum problema em trilhar um formato já explorado antes, desde que o produto final funcione e, principalmente, me envolva com o que eu esteja vendo. “Os Oito Odiados” me conduziu através dos seus incessantes diálogos e me divertiu principalmente quando o roteiro teve uma virada. Feito em capítulos, o filme passa boa parte se dedicando à apresentação de personagens para torna-los imprevisíveis no terceiro ato. Uma decisão bastante acertada. Vide o personagem de Jennifer Jason Leigh, por exemplo, que apanha praticamente o filme todo sem jamais demonstrar qualquer traço de vulnerabilidade, nos fazendo esperar que essa personalidade irá redesenhar novos meandros na história. Rodado inteiramente em 70 milímetros (ainda não sei se aqui no Brasil encontraram algum lugar para rodar nesse formato), “Os Oito Odiados” ainda conta com trilha sonora assinada pelo genial Ennio Morricone. Não vai dividir novamente a carreira de Quentin Tarantino, mas nem de longe posso classificar esse filme como fraco.

Resumo
Data
Título
Os Oito Odiados
Avaliação
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