PERISCÓPIO (2013)

Periscópio | dir. Kiko Goifman | Brasil | ★★★★

9º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo

Periscópio Poster

Dando continuidade às minhas idas ao 9º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, fui conferir “Periscópio”, mais novo filme de Kiko Goifman, o mesmo de “FilmeFobia” (2008). Numa sala lotada de curiosos no Memorial da América Latina, a sensação que tive é que todos se deixaram levar pelo ideal onírico do filme, que ajuda a conceber a ideia de que o cinema se propõe exatamente a isso: aceitar o que parece inimaginável e se fazer valer o sonho.

Na história, dois homens vivem solitários num apartamento mofado. O septuagenário francês Eric (Jean-Claude Bernadet) e Elvio (João Miguel), uma espécie de cuidador que acabou se tornando tão dependente quanto a figura de seu patrão, que ele constantemente despreza. Aquela convivência sufocante se transfigura quando misteriosamente surge na sala um periscópio. O objeto é recebido com surpresa e admiração pelos dois homens,  que passam a interagir entre si e com o novo morador. O mais interessante em acompanhar aqui é justamente essa ruptura entre o desprezo e o companheirismo, numa festividade que não tarda em ser questionada e, portanto, refletida em sua necessidade.

O resto, é claro, não dá pra falar mais nada. Até porque eu acredito que se tem uma coisa que “Periscópio” tem em a seu favor é esse leque de possibilidades interpretativas. Entretanto, devemos levar em consideração que trata-se de um filme essencialmente contemporâneo, que também não está lá muito ligado ao cinema naturalista. Ou seja, o que importa aqui é presenciar todas as experiências sensoriais que Kiko Goifman sugere, sem se prender às resoluções do que seria ou viria a ser o tal periscópio, o elemento difusor. Outro ponto que não tem como deixar passar é o incrível jogo cênico lindamente interpretado por João Miguel (intenso como de costume) e Jean-Claude Bernadet, teórico que se lançou como ator e parece ser figura presente em filmes de festivais (também está no filme “Hamlet”, de Cristiano Burlan). É um viagem indubitavelmente instigante.

Resumo
Data
Título
Periscópio
Avaliação
41star1star1star1stargray

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