PONTE DOS ESPIÕES (2015)

Ponte dos Espiões | Bridge of Spies | dir. Steven Spielberg | EUA | ★★

Ponte dos Espiões Poster

Como está difícil voltar a confiar em Steven Spielberg. Depois dos decepcionantes “Cavalo de Guerra” (2011) e “Lincoln” (2012), em “Ponte dos Espiões” o diretor volta a insistir na fórmula defasada de querer emocionar sua plateia da maneira mais óbvia possível. Aqui, ele tem a sua quarta parceria com Tom Hanks, chamado para viver a história real de James Donovan, responsável por articular boas soluções ente países considerados inimigos dos EUA. Em 1957, o país estava tentando liderar o controle termonuclear se contrapondo à URSS, num período historicamente conhecido como Guerra Fria. Rudolf Abel (Mark Rylance), um suposto espião russo, é preso. Para a sua defesa – os EUA queriam mostrar que poderiam dar uma defesa digna para o acusado – é escolhido James Donovan, até então um advogado de seguros. O que ninguém esperava era que Donovan levasse a causa à sério, lutando pela vida de Abel, mesmo que os americanos passassem a odiá-lo. Após dois norte-americanos terem sido capturados pelos soviéticos, é Donovan que irá negociar uma espécie de troca de prisioneiros. A história que “Ponte dos Espiões” apresenta é de fato interessante, tanto é que já houve tentativas de leva-la ao cinema, a mais conhecida delas foi em 1965, com Gregory Peck sendo cotado como estrela principal. O trabalho de Spielberg infelizmente é datado, com tudo o que se espera de uma obra que parece estar muito mais preocupada na campanha pré-Oscar do que convencer seus fãs mais exigentes. Na sua empreitada, é bem possível que resulte numa estatueta merecida para o coadjuvante Mark Rylance, que constrói um sujeito carismático (quando falam que ele parece não estar nervoso, sempre repete um “Isso ajudaria?”). O maior problema de “Ponte dos Espiões” é que o filme não esconde o patriotismo descarado (o que poderíamos esperar de Spielberg, né?) da maneira mais estapafúrdia, isso quando logo no início foi corajoso ao confrontar o pensamento punitivo dos seus compatriotas e mostrar como o Governo construiu uma paranoia e ódio aos comunistas através da educação infantil. Poderia ser um bom filme, mas “Ponte dos Espiões” me confirmou que Steven Spielberg não está nas melhores de suas fases.

 

Resumo
Data
Título
Ponte dos Espiões
Avaliação
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Um comentário

  1. O roteiro agrada por não ficar enaltecendo nenhuma das partes – as críticas vêm de todos os lados, seja para o americano, a intolerância do povo mentecapto, a corrupção das instituições legais e a paranoia exageradíssima com o conflito nuclear ou o soviético com a cortina de ilusões, a desinformação, a miséria, a violência genocida e a ditadura. Os roteiristas também acertam em manter o tom realista com Donovan. O filme não é tenso como você pode imaginar, mas os Coen se esforçam em não deixar o protagonista muito confortável em diversas situações. Algo que Tom Hanks, em sua quarta parceria com Spielberg, mostra em tela formidavelmente. Como sempre, Hanks traz sutilezas em sua atuação. O personagem nos cativa, provoca empatia imediata graças a naturalidade do talento do ator para trazer Donovan à vida. Além do espetáculo de atuação proporcionado por Tom Hanks, temos a grata surpresa da performance de Mark Rylance (do óptimo “Dunkirk”, aqui: https://br.hbomax.tv/movie/TTL612333/Dunkirk os detalhes, fez uma atuação incrível) – candidato fortíssimo para a indicação de Melhor Ator Coadjuvante, da qual concordo plenamente. Ponte dos Espiões marca o retorno de Steven Spielberg à boa forma e ao modo mais gostoso de se fazer cinema: com criatividade e amor pela arte.

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