PRECISAMOS FALAR SOBRE O KEVIN (2011)

Precisamos Falar Sobre o Kevin | We Need to Talk About Kevin | dir. Lynne Ramsay | EUA | ★★★★★

Precisamos Falar Sobre o Kevin Poster

Dirigido pela interessante Lynne Ramsay e baseado no livro homônimo de Lionel Shriver (obra que foi rejeitada por inúmeras editoras até conseguir ser publicada em 2005), “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tem uma impactante forma de contar uma história de maneira bastante competente.

Com uma edição não convencional, acompanhamos o drama de Eva Khatchadourian (Tilda Swinton), uma mulher do mundo (logo no começo, vemos sua alegria ao participar da Tomatina, um dos festivais mais tradicionais de Valência, na Espanha, com gente imersa num mar de tomates). Ao se casar com Franklin (John C. Reilly) e logo ser mãe de Kevin (Ezra Miller na fase adulta), Eva percebe o quão difícil é se fixar em um único lugar, o que pode ter afetado o seu filho de forma negativa. Desde pequeno, Kevin apresenta uma falta de sensibilidade com a mãe, que culmina em uma série de conflitos no decorrer de seu crescimento até chegar a uma grande tragédia ocorrida num colégio, que fará com que Eva seja odiada pela população. ]

Uma das provas de que um filme é realmente bom, na minha modesta opinião, é a possibilidade das fortes lembranças que este nos causará nas horas seguintes ou, no melhor dos casos, até nos dias seguintes. “Precisamos Falar Sobre o Kevin” surtiu esse efeito em mim. Sua narrativa é fluída, e por isso, é de se estranhar o início por vezes confuso, mas que por dedução as cenas e os tempos narrativos acabam se ajustando perfeitamente. O lado bom dessa forma de contar a história é que não nos atemos à forma gradual da relação entre mãe e filho aqui. Já conhecemos o que restou (uma relação quase sem diálogos) e passamos a questionar se isso pode ter sido resultado de uma relação conturbada entre os dois. O que poderia ter acontecido? O quanto mãe e filho se odeiam? O que podemos esperar disso tudo? Uma discussão que o filme levanta – e reconheço que é algo bastante comum na sociedade – é o modo como a mãe de um delinquente é apontada pelas pessoas em alguns casos.

É inevitável o alerta de que “Precisamos Falar Sobre o Kevin” é também um filme performático. Então, prepare-se para ver um trabalho de composição simplesmente fenomenal de Tilda Swinton, uma das atrizes mais interessantes dessa geração. Dar conta de tanto drama com olhares pesados e distantes, as pausas silenciosas que nos faz traduzir tudo o que se passa em sua mente sem que ela precise de um discurso, é digno de nota e aplausos para Swinton.

Resumo
Data
Título
Precisamos Falar Sobre o Kevin
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

comments

9 Comentários

  1. Assisti Precisamos Falar Sobre Kevin neste final de semana e AMEI. Filme perfeito em quase todos aspectos. A atuação da Tilda Swinton é GENIAL. Lamentável foi ela não ter sido indicada ao oscar…

    Abraços!

  2. Concordo que Tilda tem ótima atuação, mas vê-la em cana é sempre uma grata surpresa. Porém o filme em si não me convenceu. Achei-o redundante nos recursos que utiliza para gerar desconforto na audiência, como abusar dos objetos cênicos vermelhos, o que não nada original fotograficamente falando. De qualquer forma ótimo texto Adecio! Parabéns! :-))))

  3. Não conheço este filme, Adecio. Fiquei curioso. Excelente trabalho. Acabei de ler uma de suas resenhas: “Ligações Perigosas”. Meus parabéns. Poucos são os bloggers, aqui, que desenvolvem tão excelente trabalho. Seguindo…

  4. Adorei o post. Muito bem escrito e me instigou a ver o filme, que tem um tema extremamente interessante. Fora que a Tilda Swinton é uma “esquisitona” surpreendente, gosto muito de como ela atua. Eu também tinha dado uma olhada no livro e me interessei bastante, vou tentar incluí-lo na minha meta de leitura desse ano!

  5. Ah Adécio, esse filme é mesmo uma maravilha! Uma das melhores surpresas de 2011 para mim. Tilda Swinton está na melhor atuação do ano passado que eu vi – até aposto nela para o Oscar, mas com muita pouca crença – e o filme é incrível. Intenso a cada momento e brinca bastante com toda a edição, pra dialogar junto com a linguagem corporal de mãe e filho.
    E eu te recomendo o livro, que consegue superar o filme em vários aspectos e me trouxe lágrimas naquela final desesperador. Mas o filme não fica muito atrás.
    Abração!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

* Copy This Password *

* Type Or Paste Password Here *