RÉQUIEM PARA UM SONHO (2000)

Réquiem Para um Sonho | Requiem for a Dream | dir. Darren Aronofsky | EUA | ★★★★★

Réquiem Para um Sonho Poster

Ainda em seu segundo filme, Darren Aronofsky – que já tinha surpreendido meio mundo com “Pi” (1998) – conseguiu ser celebrado pela crítica e cinéfilos. As razões são óbvias. É raro um diretor surgir com um talento tão peculiar a ponto de transpor o que ele arquiteta em sua mente de uma forma absolutamente original. Em “Réquiem Para um Sonho”, Aronofsky mergulha não no somente no submundo das drogas, mas no mundo interno do vício, com tudo o que possa ser vinculado a ele. No Brooklyn, Nova York, a Sra. Sara Goldfarb (Ellen Burstyn) está obcecada por televisão. Seu filho, Harry (Jared Leto), está sempre roubando a televisão da mãe para sustentar o vício em drogas na companhia de seu amigo Tyrone (Marlon Wayans) e de sua namorada (Jennifer Connelly). Ao receber uma ligação dizendo que participará de um programa de TV, Sara tenta emagrecer a qualquer custo, buscando saídas como inibidores de apetite. Enquanto isso, Harry e Marion farão de tudo para garantir a próxima dose de heroína. Baseado no livro de Hubert Selby Jr., que fora publicado originalmente em 1978, o longa tenta adaptar muito mais do que o texto, com seus personagens e situações. Tudo no filme é atraente, o que é perceptível na loucura instalada na percepção de um viciado em produtos ilícitos ou até mesmo pessoas que sofrem de compulsão alimentar. Por conta disso, “Réquiem Para um Sonho” não é um filme fácil. As técnicas empregadas pelo diretor tornam este exemplo visualmente genial. O número de cortes em um filme normal, por exemplo, varia entre 600 e 700 no total, enquanto que em “Réquiem Para um Sonho” são pelo menos 2000 cortes. Isso serve para dar uma noção da agilidade gráfica, além do uso de closes angulares, divisão de cenas, diversas situações unidas por uma trilha sonora espetacular e outras facetas que somente um diretor entusiasmado poderia montar. É delirante.

Resumo
Data
Título
Réquiem Para um Sonho
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

comments

8 Comentários

  1. “To me, watching a movie is like going to an amusement park”

    Curiosa esta afirmação de Darren Aronofsky. Mas provavelmente no “parque de diversões” que ele evoca só haverá comboios fantasmas. Isto por causa deste seu filme, “Requiem For A Dream”. Nas muitas dezenas de anos que já levo a ver cinema, este terá sido dos poucos filmes que me conseguiu afectar negativamente. Honra lhe seja feita por isso. De momento só me lembro de mais um título que me deu assim um murro valente na boca do estômago, o “Saló” do Pasolini. Mas nesse havia uma justificação, que era mostrar todo o horror de uma verdade histórica, os anos do fascismo em Itália. E provavelmente não haveria outra maneira de transpor o assunto para o écran. Pelo menos eficazmente.
    “Requiem For a Dream” nem sequer tem a atenuante de ter a História por detrás. É a adaptação de um livro de Hubert Selby Jr., feita pelo próprio autor em parceria com Aronofsky. O resultado é um filme feio e grotesco, onde se encontra ausente qualquer réstea de esperança. A vida pode efectivamente não ser um sonho, mas de certeza que não é o pesadelo aqui retratado. A solidão do ser humano já é algo triste e difícil de suportar, sobretudo nos capítulos mais adiantados das nossas vidas. Adorná-la ainda mais, com laços familiares envolvendo drogas e prostituição, e elevar tudo ao coeficiente máximo do insuportável é como nos atingirem com um ferro em brasa.
    Na galeria das personagens não existe uma só capaz de nos despertar a mais pequena simpatia, desde as decadentes residentes do lar de idosos até aos funcionários hospitalares, passando pelos apresentadores e público televisivos. Apenas conseguimos sentir alguma comiseração por Sara Goldfarb. Mas nem a brilhante interpretação de Ellen Burstyn (nomeada muito merecidamente para o Oscar de Actriz Principal) consegue salvar este filme do lamaçal.
    Nas minhas preferências musicais, que são muitas e variadas, há um género ausente que visceralmente detesto, o chamado “hip-hop”. É assim a técnica de filmar de Aronofsky – planos rapidos e múltiplos, frames acelerados, distorções da imagem. E tudo isso mostrado numa repetição ad-eternum, como se fosse um longo video-clip de uma qualquer banda do “hip-hop”. Nos cerca de 100 minutos que dura o filme o espectador só tem direito a um quarto de hora de descanso, o tempo do diálogo de Sara Goldfarb com o filho. Em tudo o resto é literalmente bombardeado com todo aquele caleidoscópio de imagens e sons, o que se torna extremamente cansativo, para não dizer exasperante.
    Eu vi o filme porque me foi referenciado como sendo algo belissimo. Não o é. Pelo contrário, é hediondo e repelente. “Requiem For a Dream” não é um filme que se aconselhe a ninguém de boa fé. Nem aos optimistas que, como eu, farão tudo para o esquecer rapidamente, nem muito menos aos pessimistas, porque neste caso haverá o sério risco de em seguida darem um tiro nos miolos ou irem-se atirar para debaixo do comboio mais próximo. Não viria grande mal ao mundo se “Requiem For a Dream” fosse apenas, em linguagem fílmica, a negação do Cinema. Mais grave é ele ser, em última análise, a negação da própria Vida.

    O Rato Cinéfilo

  2. Eu só vi RÉQUIEM PARA UM SONHO uma vez, anos atrás, e foi marcante mesmo — meu primeiro encontro com Aronofsky. Sua abordagem visceral ultrapassa grandes interpretações dos atores; ela está, você mencionou, nos cortes rápidos, na trilha assombrosa, nos closes, na agilidade da trama. Não podia ser para menos: é mesmo absolutamente impactante.

  3. Réquiem é inesquecível. Lembro que assisti e não consegui dormir a noite toda, absolutamnete perturbador. melhor filme sobre drogas ever e talvez o melhor do Aronofsky. E como a Ellen Burstyn foi perder o oscar pra Julia Roberts?

  4. Já é um fato incrível um diretor fazer um dos melhores filmes que já vi, como Aronofsky fez com Cisne Negro. Mas fazer 2 filmes que estão nessa lista é um fato único. Só Aronofsky mesmo. O ritmo frenético e as atuações são do nível da direção, e não há filme melhor para se falar do mundo das drogas com tanto efeito como Réquiem. Desculpe, Trainspotting, mas é a pura verdade.
    Abraços, gostei do seu texto, capta bem o filme.

  5. Eu achei Réquiem um filmaço, digno de Aronofsky, digno de uma aula perfeita sobre o mundo do vício, mas como falou não é um filme qualquer. Seu poder sobre o espectador é muito intenso e em mim foitão intenso que penso que este é um filme que: ou não verei jamais ou verei num futuro bem distante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.