SÃO PAULO EM HI-FI (2013)

São Paulo em Hi-Fi | dir. Lufe Steffe | Brasil | ★★★★★

21º Festival Mix Brasil São Paulo

São Paulo em Hi-Fi Poster

Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que assisti “São Paulo em Hi-Fi” nas melhores das circunstâncias: em pleno Festival Mix de São Paulo, numa sala disputada que comportava as principais figuras de representatividade do filme. A plateia, que em grande parte estava relacionada ao que viam na tela, era capaz de aplaudir depoimentos de figuras importantes e verbalizar a reação nostálgica em ver personalidades saudosas e casas noturnas que eram a verdadeira coqueluche da outrora noite paulistana. O desafio do diretor Lufe Steffen é justamente resgatar a memória das primeiras manifestações boêmias assumidamente gays através das reminiscências de pessoas que trabalhavam, frequentavam ou até mesmo ajudaram a consolidar esse conceito. Lufe dispõe de bem pouco material de arquivo, muito embora o que foi visto tenha sido cuidadosamente utilizado numa montagem competente. Com isso, “São Paulo em Hi-Fi” irá se sustentar primeiramente nas personalidades emblemáticas que concederam seus depoimentos. O documentário, por sinal, consegue fazer um bom percurso entre diversos contextos desse recorte, que vai dos anos 60 até o final dos 80, período este marcado pela dolorosa disseminação da AIDS como o “câncer gay”, definitivamente um retrocesso que deixou feridas abertas em muitas das pessoas que viveram essa época. Ou seja, tudo o que não é dispensável na discussão que “São Paulo em Hi-Fi” levanta está devidamente encaixado. Menções às casas como a já citada Medieval, Corintos, Homo Sapiens, Nostro Mundo, Off, entre tantas outras, nos servem para delimitar um forte contraste da era de ouro notívaga (das danceterias disco à la Studio 54 aos shows que remontavam os cabarés parisienses) com a atual cena decadente que vemos por aí. Trata-se, portanto, de um documentário não só recomendado pela importância social, política e histórica dessa causa, mas também pela necessidade de legitimar o valor de pessoas que tiveram que se produzir com brilhos, perucas, fantasias, maquiagem e muita, mas MUITA coragem.

Resumo
Data
Título
São Paulo em Hi-Fi
Avaliação
51star1star1star1star1star

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Um comentário

  1. Fim da época de ouro que começou nos anos 50 e terminou na primeira metade dos anos 80. As pessoas se produziam para ver e serem vistas, cultuavam cada gole do drink, assistiam espetáculos baseados em algo construtivo e culto, acreditavam no amor entre iguais. Se tinha repressão e não tinha celular, tinha aproximação com respeito e sinceridade, outros tempos

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