SCARY MOTHER (2017)

Scary Mother | dir. Ana Urushadze | Georgia | ★★

41ª Mostra Internacional de São Paulo

Scary Mother Poster

A protagonista de Scary Mother, Manana (Nato Murvanidze), é uma mãe de meia-idade, com três filhos e um marido aparentemente dedicado. Depois de tempos se dedicando totalmente ao lar, resolve tirar um tempo para si e escrever um livro. Inicialmente, o projeto é apoiado e de certa forma estimulado pela família. Apoio este que será retirado após Anri (Dimitri Tatishvili) pedir para que ela leia parte da sua obra durante uma refeição em família. O “problema” é que Manana estaria criticando a sua própria rotina, isso sem contar o teor erótico contido em sua escrita. Logo, ela é pressionada a abandonar o que havia sido feito até ali. A proposta trazida por Scary Mother, grande vencedor do Festival de Locarno, é trabalhar essa transformação da mulher inserida no sistema patriarcal da sociedade mediante ao seu florescer artístico, e também o dilema em que se encontra ao ter que escolher a família e o seu dom. Mas acho que o ponto mais interessante do filme dirigido pela estreante Ana Urushadze (de apenas 27 anos) é justamente sobre a discussão do que é a “arte”. O marido de Manana, assim como os editores que se recusam a publicar o manuscrito, dizem que aquilo é uma afronta, e que deveria ser escrito uma outra coisa. Se levarmos à analogia do tempo presente no Brasil – afinal, tal coisa é arte ou insulto à sociedade? -, Scary Mother soa interessante. Porém, não se engane pelo meu engajamento em refletir sobre o filme, que achei tedioso em grande parte, principalmente da segunda metade para o final. O problema maior, presumo eu, é que não gostei da protagonista. Não pelo que ela representa, mas pela apatia diante dessa “brincadeira” metafórica. É difícil falar mal de um queridinho da Mostra, mas fazer o quê? Arte também tem disso.

Resumo
Data
Título
Scary Mother
Avaliação
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