TANGERINE (2015)

Tangerine | dir. Sean Baker | EUA | ★★★★

Tangerine Poster

Nessa semana eu comentei no meu texto sobre “A Garota Dinamarquesa” sobre como a cultura pop está inserido a transexualidade entre seus assuntos. Coincidentemente, consegui assistir ao filme “Tangerine”, que vem ganhando bastante destaque entre associações de críticos de cinema mundo afora e cravou indicações nas principais categorias do Independent Spirit Awards. O diretor é o ainda pouco conhecido Sean Baker (anotem esse nome!), que já estreou aqui no Brasil com seu longa anterior – “Uma Estranha Amizade” (2012) – e é bastante solícito com os blogueiros cinéfilos nas redes sociais. Baker foi estudar cinema achando que ia fazer grandes produções, mas foi ao tomar contato com os filmes do neorrealismo que ele decidiu trilhar outros caminhos. A falta de investimento financeiro também só reforça a sua inquietação em saber que dá pra fazer arte com recursos limitados. “Tangerine” em especial foi todo filmado em 3 celulares iPhone 5s, que, com a ajuda de lentes especiais, deu um tom saturado às cores que enaltecem ainda mais o fim de tarde de Los Angeles (o título vem justamente do tom tangerina do céu nesse horário). O filme nasceu de uma ideia em ser feito numa cafeteria chamada Donut Time, que pelo que pesquisei fica numa importante avenida de L.A. e é ponto de prostituição de travestis. “Tangerine” se inicia lá, quando Sin-Dee (Kitana Kiki Rodriguez), que passou algumas semanas encarcerada, descobre pela amiga Alexandra (Mya Taylor) que seu namorado cafetão a traiu com uma mulher cisgênero branca, o que aumenta ainda mais a indignação de Sin-Dee. A partir de então, o longa vai acompanhar o percurso de Sin-Dee em busca da rival, Alexandra tentando divulgar seu show numa boate e ainda o taxista armênio Razmik (Karren Karagulian), pai de família que adora garotas de programas trans. “Tangerine” é um ótimo frescor no cinema do submundo e tem uma transgressão muito latente por ser DE transexuais feito POR elas, uma representatividade bastante justa. E não é só imagem. A trama é bastante ágil ao se aproximar de casos como “Corra, Lola, Corra” (1998) sem se submeter ao histrionismo do seu diretor. Vale muito a pena conhecer.

Resumo
Data
Título
Tangerine
Avaliação
41star1star1star1stargray

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