THE NORMAL HEART (2014)

The Normal Heart | dir. Ryan Murphy | EUA | ★★★

The Normal Heart Poster

Ontem saiu a lista de indicados ao Emmy Awards (prêmio concedido às produções de TV e streaming nos EUA) e, como esperado, houve uma enxurrada de indicações para esse “The Normal Heart”, drama um tanto quanto panfletário da HBO, canal que tem um padrão de qualidade em conteúdo próprio. Vale lembrar que já falei muito bem de telefilmes como “Temple Grandin” (2010) “Cinema Verité” (2011), mas, no caso dessa adaptação da peça de Larry Kramer (que também roteirizou o filme), eu não fui completamente fisgado, embora esteja nadando contra a maré de otimistas em relação ao produto.

Pegando carona numa tendência de abordagem (vide o recente “Clube de Compras Dallas”), “The Normal Heart” vai contextualizar a propagação inicial da AIDS no ano de 1981, quando foi costumeiramente taxada de “câncer gay”. Apesar do choque, poucos pareciam preocupados com a disseminação da doença entre os homossexuais, com exceção de Ned Weeks (Mark Ruffalo), um judeu que não aceita as constantes mortes abstidas pela sociedade. Apoiado pela infectologista Dra. Emma Briikner (Julia Roberts) – médica cadeirante que fez uma relação entre a AIDS e sua contaminação via sexual – e um grupo de amigos, Weeks luta de maneira enérgica pela assistência do governo e organização da classe GLS, enquanto cuida de seu namorado, o jornalista Felix Turner (Matt Bomer).

É claro que a situação é delicada e um dos maiores êxitos de “The Normal Heart” é não livrar a cara dos homossexuais, que parecem alienados numa época de amor livre. A defesa do protagonista parece ser clara e interessante: recuar à doença e simplesmente parar de fazer sexo (a primeira recomendação médica) seria um retrocesso na luta pela classe. Se por um lado “The Normal Heart” faz esse bom panorama de questionamentos (com espaço até para teorias de massacre por parte de cientistas), por outro o filme não renega a sua preferência em não delinear as figuras do governo (aparece bem pouco), a ciência (com exceção da médica interpretada por Julia Roberts), a religião e outras esferas sociais que não são abordadas, limitando-se aos personagens que têm pelo menos um momento de gritaria para serem confrontados, refletirem e, de alguma maneira, se transformarem.

Isso é ótimo para o elenco (que está bem afiado), para o diretor (Ryan Murphy) e para os votantes a prêmios, mas enquanto obra de contestação e estudo social, o filme avança bem pouco nesse seara.

Resumo
Data
Título
The Normal Heart
Avaliação
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