THERESE D (2012)

Therese D | Thérèse Desqueyroux | dir. Claude Miller | França | ★★★

Therese D Poster

O dramaturgo François Mauriac (1885–1970) ganhou seu Nobel de Literatura em 1952 pela sua herança dada à humanidade através de obras que cultivavam conflitos pessoais. Um de seus melhores exemplos foi “Thérèse Desqueyroux”, livro baseado no bárbaro caso de Henriette Canaby, que, em 1906, tentou envenenar seu marido, aparentemente sem qualquer motivo para tal.

Nesse filme, Therese (Audrey Tautou) cresce saudavelmente pelos campos de Bordeaux. Já mulher, ela se casa com Bernard Desqueyroux (Gilles Lellouche), irmão de sua melhor amiga (Anaïs Demoustier). O problema é que Therese está recorrentemente com tédio de alguma coisa, o que a leva a tomar atitudes nada ortodoxas. Diante do romance proibido de Anne com um simples filho de pescador, Therese atrapalha mais do que ajuda (o que ela mesma havia prometido pra amiga). E o pior, vai tomar uma atitude contra seu marido que vai contra os preceitos de qualquer época.

Afinal, o que se passa na cabeça de Thérèse Desqueyroux? É aqui que se encontra o principal método de “Therese D”. Não existe muito a ser contado sobre sua protagonista, porque ela passa grande parte do tempo em tela ruminando moralidades e aferindo desgraças. Ao mesmo tempo, essa sua característica inquietante diz MUITO sobre Therese, tanto que faz com que nosso principal interesse se foque inteiramente nela, aflito para vermos até onde a dita é capaz de ir. Diante disso, é inevitável não traçar um paralelo com Madame Bovary, a personagem de Gustave Flaubert, conhecida como uma das mulheres mais controversas da literatura.

Entretanto, não basta traçar o foco central de um filme completamente nas costas de sua protagonista, pois, embora seja uma mulher instigante pelos seus métodos, os outros elementos da história (diga-se personagens secundários frouxos) ficam à deriva, esperando para que seus núcleos criem órbita em Therese. Independentemente desses aspectos que enfraquece “Therese D”, é inegável que o feminismo impregnado nos questionamentos de Therese e a discussão do cinismo da sociedade dos anos 20 estão muito bem transpostos no filme. Ou seja, para bem ou para mal, Claude Miller não fez feio na sua despedida dos cinemas.

Resumo
Data
Título
Therese D
Avaliação
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4 Comentários

  1. Adorei sua crônica sobre o filme. Também fiz a relação de Thèrese com Mme. Bovary, impossível não fazer quando se leu o romance de Flaubert.

  2. Vi o filme recentemente e concordo com a sua análise. A personagem principal é muito rica em detalhes, na verdade, eu acabei tendo bastante empatia com ela… Gostei do filme e da atuação de Audrey. O final é massa!

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