TOMBOY (2011)

Tomboy | dir. Céline Sciamma | França | ★★★★★

Tomboy Poster

Tomboy”, este belíssimo trabalho da francesa Céline Sciamma, retrata, de forma bem respeitável, a questão da identidade sexual numa criança comum. Só aí já se percebe um novo horizonte a ser realizado, sem cair na tragédia ou na cafonice. Quando os pais de Laura (Zoé Héran) se mudam mais uma vez para um novo lugar, ela fica deslocada. Sua opção é ficar em casa cuidando de sua irmã caçula. Até que numa ida à rua, conhece o grupo de crianças que brinca pelo bairro. Não seria nada usual, caso Laura não se apresentasse como Michaël, se aproveitando de sua imagem andrógina com cabelos curtos, corpo franzino, ausência de vaidade e roupas masculinas. As crianças nem desconfiam e uma garota, inclusive, chega a se apaixonar por Michaël, obviamente sem saber que se trata também de uma menina. O que Laura não calcula é que a volta às aulas está chegando, e é uma questão de tempo para que seus novos amigos e sua família descubram o que ela fez. “Você não é como os outros”. Essa afirmação, dita pela garota apaixonada pelo mais novo residente do bairro, soa como uma forma resumida da questão de Laura/Michaël. Antes de qualquer interação com o mundo dos homossexuais ou experiência traumatizante, parte dela se sente à vontade para viver como um menino. A liberdade que seus pais lhe dão para se vestir como quiser faz com que seja bem viável as discussões que “Tomboy” provoca.  Contudo, a obra comprova que não se trata de sexualidade. Nem nós, nem a família, nem a própria Laura entende o que acontece com ela mesma. E isso é o que torna o filme um belíssimo retrato do que é, de verdade, a identidade de gênero. Como eu já sei que não será um filme muito alardeado, só me resta dizer a todos que “Tomboy” merece ser descoberto.

Resumo
Data
Título
Tomboy
Avaliação
51star1star1star1star1star

Comentários (via Facebook)

comments

4 Comentários

  1. Assisti hoje Tomboy e achei interessante a abordagem dele. Realmente, não se trata de uma análise ”explícita” da opção sexual. Por outro lado, é apenas uma forma de vida que a personagem principal encontra e a agrada. Só achei que o final do filme é muito abrupto, mal construído. Mas, em suma, gostei bastante do filme. Parabéns pelo texto cara! Expressou bastante coisa que eu notei do filme.

    Abraços!

  2. Realmente, Tomboy é um filmaço, e uma pena que não muito descoberto. É todo aquele tema da homossexualidade, só que longe de uma visão maniqueísta. Aqui não tem o certo e o errado durante a infância, é apenas o que a personagem de Zoé Héran – numa atuação impressionante – sente e que deseja. Longe de qualquer julgamento, é um dos meus favoritos do ano passado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.