TROPICÁLIA (2012)

Tropicália | dir. Marcelo Machado | Brasil | ★★★★

Tropicália Poster

Lembro vagamente de alguns tios me falarem sobre a revolução causada por alguns nordestinos nas célebres apresentações em festivais de música que aconteciam no Teatro Record (localizada na Rua da Consolação nos idos dos anos 60).  Adianto que as respostas do que foi esse movimento e o que nos foi deixado de herança cultural é muito bem respondido nesse belíssimo trabalho do diretor Marcelo Machado. O documentário “Tropicália” se inicia com uma histórica apresentação de Gilberto Gil e Caetano Veloso para um programa de TV de Portugal. Ao ser incitado por um dos apresentadores a definir o que seria o tropicalismo, Caetano reage. Antes de ouvirmos sua resposta, é iniciado um documentário que se sustenta em grande parte do seu tempo em imagens de arquivo, demonstrando que, a partir daí, veremos como Caetano teria a difícil missão de sintetizar um movimento tão rico e engajado quanto foi o tal tropicalismo. Engajamento este que, de imediato, não foi tão bem compreendido. Na então fase política que o Brasil estava passando, com a ditadura em força inicial e o fantasma da iminente censura, a Tropicália foi, acima de tudo, um protesto que se expunha pela estética, algo que já o tornava vanguardista e naturalmente original. Por ser um documentário abarrotado de imagens esclarecedoras, creio que ficou mais fácil decidir a intenção de entregar mais da metade da projeção somente nos vídeos e deixar todos os depoimentos em off. Devo dizer que foi uma escolha acertada já que, para mim, a sensação de estar numa sala de cinema aprendendo tudo o que eu poderia através de “Tropicália”, fez com que eu me sentisse um privilegiado por ter acesso a momentos tão marcantes para a história da música brasileira. A única reclamação que posso fazer de “Tropicália” é quanto a sua curta duração. Menos de uma hora e meia é bem pouco para tamanho arsenal de imagens.

Resumo
Data
Título
Tropicália
Avaliação
41star1star1star1stargray

Comentários (via Facebook)

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4 Comentários

  1. Vou te contar uma coisa, quando vi que era a crítica de Tropicália me deu até preguiça só de pensar em assistir ao filme, falta mesmo de interesse pessoal.

    Aí eu leio sua crítica e estou com vontade de assistí-lo imediatamente.

  2. Well, 🙂 eu “vivi” através da “Tropicália”…. Agora, Uhmmm, vamos ser muito sinceros o povo “carioca” (na época da Tropicália o Rio ainda era a “capital” do Brasil… será que nao é einda?) é muito oportunista: TRopicália? Yeahhh, Hooray… somos todos Tropicalíssimos… mas entao era “Felinni” mais popular? Yeahhhh, Hooray… adoramos Felinni… ou Martin Scorcese? America pura?
    Sorry: nao dá para julgar “movimentos intelectuais” com os cariocas… como disse: somos uns oportunistas danados…

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